Estudantes protestam contra corte de ônibus em Salvador na eleição e pedem saída do prefeito

Manifestação foi realizada em frente à Prefeitura - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Estudantes e organizações estudantis protestaram na segunda-feira (26), em frente à sede da Prefeitura de Salvador, contra a redução da frota de ônibus durante o segundo turno das eleições presidenciais, no domingo (25). A manifestação cobrou responsabilização do prefeito Bruno Reis (União Brasil) e do secretário municipal de Mobilidade Urbana, Pablo Souza, diante das denúncias de que a retenção de coletivos prejudicou o deslocamento de eleitores até os locais de votação.

Convocado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o ato reuniu também estudantes da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e outras organizações. Os manifestantes gritaram “Fora, Bruno Reis” e exibiram cartazes com frases como “Aqui golpista não se cria” e “Tentou calar o povo, acordou a rua”. Um boneco com a imagem do prefeito foi incendiado durante o protesto. Os participantes também defenderam o impeachment do chefe do Executivo municipal.

A mobilização ocorreu após eleitores enfrentarem dificuldades para chegar às seções eleitorais devido à falta de ônibus nas ruas. Segundo reportagem do ICL Notícias, um motorista denunciou que trabalhadores receberam ordens para manter veículos nas garagens quando estavam adesivados com propaganda do PT. O rodoviário afirmou que a orientação atingiu diferentes garagens, incluindo as operações do sistema Integra e do BRT.

A Prefeitura de Salvador atribuiu o atraso na saída dos coletivos à retirada de adesivos eleitorais e negou ter determinado a redução da frota. O prefeito Bruno Reis afirmou que autorizou a circulação dos veículos mesmo com os adesivos, diante do risco de comprometimento do transporte.

A Justiça Eleitoral interveio durante a votação. O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a recomposição integral da frota e estabeleceu multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento. Também ordenou a prisão em flagrante do secretário Pablo Souza. A ordem foi posteriormente revogada, mas o tribunal determinou a apuração dos fatos.

A Polícia Federal deverá investigar se houve crime eleitoral. O caso pode esclarecer se a retenção dos ônibus foi consequência de problemas operacionais, como sustenta a prefeitura, ou se houve uma ação deliberada que dificultou o exercício do voto.

Após o protesto, a prefeitura informou que suspendeu o expediente no Palácio Thomé de Souza por razões de segurança. Segundo a administração municipal, houve as de invasão, pichações e depredação do patrimônio público durante a manifestação.

A redução do transporte público em um dia de votação, quando a gratuidade foi anunciada, atingiu diretamente a população que depende dos ônibus para se deslocar pela cidade. 

A investigação deverá apurar as responsabilidades pela falta de veículos e as consequências para o exercício do direito ao voto.

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