Ministro do STF quer apurar possível atuação da organização fascista norte-americana Rockbridge Network, manipulação de algoritmos nas redes e falcatruas com as terras raras brasileiras
O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta terça-feira (27), que a Polícia Federal abra inquérito para investigar denúncias de financiamento estrangeiro e de interferência externa nas eleições presidenciais de 2026, com possível favorecimento à campanha de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula (PT) no segundo turno, no último domingo (25).
A apuração deverá examinar possíveis repasses de recursos, serviços ou vantagens econômicas de origem estrangeira à campanha, com atenção à atuação da Rockbridge Network, organização de extrema direita dos Estados Unidos, e aos contatos com os empresários brasileiros Tallis Gomes e Pedro Sang.
Na decisão, Dino afirmou haver elementos que “apontam para a intensificação dos indícios de ingerência estrangeira no processo eleitoral”. O ministro ressaltou que “não se admite a interferência, direta ou indireta, de Estado estrangeiro sobre assuntos submetidos à soberania” brasileira.
RECURSOS E POSSÍVEIS CONTRAPARTIDAS
A PF deverá identificar a origem, a circulação e a destinação de eventuais recursos, além de esclarecer quem teria financiado ou contratado publicidade eleitoral divulgada por perfis estrangeiros e se houve intermediação para ocultar a origem do dinheiro.
Outro ponto da investigação é a possível relação entre o apoio político e interesses econômicos de grupos estrangeiros na exploração de terras raras e minerais críticos brasileiros. A apuração deverá verificar se houve propostas de contrapartidas envolvendo esses recursos estratégicos.
A decisão foi tomada no âmbito da ADPF 1.178, após manifestações do PT e do candidato derrotado no primeiro turno, Renan Santos (Missão). Dino determinou, porém, que as suspeitas eleitorais sejam apuradas em procedimento próprio, sob supervisão do Supremo.
REDES DIGITAIS NA MIRA
A investigação também alcançará a atuação partidária das plataformas digitais, especialmente a Meta, dona do Instagram, Facebook e WhatsApp. A PF deverá apurar possíveis “assimetrias dolosas e manipulações algorítmicas” que tenham favorecido ou prejudicado candidaturas.
A decisão menciona informações sobre restrições ao impulsionamento de publicações da campanha de Lula e recomendações consideradas irregulares do perfil de Flávio Bolsonaro no Instagram. A investigação deverá esclarecer se eventuais diferenças de alcance decorreram de falhas técnicas ou de favorecimento intencional.
Dino destacou que a liberdade de expressão não pode servir de cobertura para eventual instrumentalização de atividades políticas em benefício de interesses estrangeiros.
A decisão foi comunicada a órgãos como a PGR (Procuradoria-Geral da República), Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), Banco Central e Receita Federal, para as providências cabíveis em suas respectivas áreas.










