No ano, setor acumula queda de 13,4%. Entidade alerta que a taxa Selic, atualmente em 13,75%, “continua limitando as decisões de investimento em máquinas e equipamentos”
A receita líquida total de vendas da indústria de máquinas e equipamentos atingiu R$ 23,44 bilhões em setembro, uma alta de 1,6% em termos reais em relação a agosto e avanço de 2,8% com ajuste sazonal. Na comparação com setembro de 2025, houve um significativo declínio de 15,6%, resultando em retração de 13,4% na receita de vendas nos primeiros nove meses do ano.
As informações foram divulgadas pela Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), nesta quarta-feira (28).
As exportações atingiram US$ 1,34 bilhões ou 12,8% de crescimento sobre agosto e estabilidade (+0,8%) em relação a setembro de 2025. No acumulado de janeiro a setembro de 2026, as exportações alcançaram US$ 10,15 bilhões, ou uma expansão de 5,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Os principais destinos da indústria do setor, no acumulado do ano foram Estados Unidos, Argentina e Singapura. Entre os grupos setoriais com melhor desempenho no ano destacam-se componentes para bens de capital, logísta e cogística e construção Civil e máquinas agrícolas.
No mercado doméstico, a Abimaq aponta que a taxa Selic, atualmente em 13,75%, “continua limitando as decisões de investimento em máquinas e equipamentos”.
“Esta retração nas vendas internas é reflexo direto do elevado custo do crédito e das condições monetárias restritivas”, assinala a entidade. “Com a inflação acumulada em 12 meses em 4,22%, os juros reais do país permanecem entre os mais altos do mundo”, reitera. O que desvia os capitais do investimento produtivo para a especulação financeira, inibindo a produção e o consumo no país.
As importações recuaram 6,1% ante agosto, totalizando US$ 2,79 bilhões em setembro, mas subiu 1,3% na comparação anual. No acumulado de janeiro a setembro, as importações cresceram 4,8% e 5,4% em 12 meses. Principais fornecedores são a China, Estados Unidos e Alemanha.
O consumo aparente (produção interna mais importações, descontadas as exportações) somou R$ 31,81 bilhões em setembro. O resultado significa uma queda de 4,4% frente a agosto e recuo de 12,5% na comparação anual. No acumulado do ano, a retração foi de 19,2%.
O número total de trabalhadores no setor encerrou setembro de 2026 com 409.983 pessoas.
O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) permaneceu praticamente estável em 79,5% em setembro de 2026 (frente a 79,4% em agosto e 79,3% em setembro de 2025). No ano, em média, atingiu 78,7%.
A carteira média de pedidos em carteira subiu para 10,3 semanas de atendimento em setembro de 2026 (contra 8,9 semanas em setembro de 2025). Esse aumento na comparação interanual do prazo de atendimento é impulsionado pelo andamento de projetos de ciclo longo em infraestrutura e logística.











