“Acabei de tornar crime a apreensão ilegal de cédulas”, afirmou Gavin Newsom, após enviar advogados eleitorais “para proteger cada voto”
O governador da Califórnia, o democrata Gavin Newsom, acusou o presidente Donald Trump de preparar o terreno para minar as eleições legislativas de 3 de novembro e “roubar as eleições”. Na quinta-feira (29), ele anunciou o envio de advogados e voluntários a distritos decisivos do estado. “Um aviso a Donald Trump: estou enviando advogados eleitorais a distritos-chave da Califórnia para proteger cada voto”, afirmou o governador, frisando que impedirá a apreensão ilegal de cédulas eleitorais. “Acabei de tornar CRIME a apreensão ilegal de cédulas”, reiterou.
Segundo o governo estadual, serão quase mil voluntários treinados, entre eles mais de 800 observadores, 134 advogados e 54 operadores de linha de atendimento, que ficarão em alerta nos distritos “pelo tempo necessário”. Em nota, Newsom afirmou que um distintivo federal não dá licença para intimidar eleitores.
A lei a que o governador se refere torna crime grave apreender ou ajudar a apreender cédulas, registros eleitorais ou equipamentos de votação antes da certificação dos resultados. Foi sancionada em 19 de setembro, num pacote de 13 projetos, e prevê até três anos de prisão. Antes dela, em maio, Newsom havia sancionado uma legislação, resposta direta ao xerife do condado de Riverside, Chad Bianco, que em fevereiro mandou apreender cerca de 650 mil cédulas. Tentando alterar as regras do jogo, de forma truculenta, o xerife, que é também candidato republicano ao governo, disse estar investigando “divergências na contagem”, enquanto as autoridades eleitorais contestaram o arrazoado trumpista.
O embate se insere numa ofensiva mais ampla de Trump contra o sistema eleitoral californiano. Após as primárias de junho, o presidente passou mais de uma semana alegando, sem provas, irregularidades na Califórnia, onde a apuração costuma levar semanas por causa do volume de votos pelo correio. O Departamento de Justiça processou a Califórnia e outros 29 estados para obter os cadastros completos de eleitores. Em junho, nenhum juiz federal havia dado razão ao governo nesse ponto.
Na disputa pelo governo da Califórnia, Trump se destemperou e alegou que irá acatar o resultado das eleições somente se considerar que a disputa foi justa. “Aceitarei, se forem eleições honestas”, afirmou o presidente a jornalistas.
Newsom acusou Trump de tentar reduzir a participação eleitoral para depois questionar o resultado. “Vemos o que ele faz todos os dias para literalmente suprimir o voto e criar as condições para depois expressar dúvidas sobre o resultado eleitoral”, alertou.
O mandato de Newsom como governador termina em janeiro, e a Califórnia elegerá seu sucessor em 3 de novembro, junto das eleições de meio de mandato. O democrata prevê alta participação e disse esperar uma “onda azul” em favor de seu partido.











