O Apollo é um veículo terrestre brasileiro não tripulado desenvolvido pelo Exército em parceria com a Base Industrial de Defesa
O Exército do Brasil, através do Centro Tecnológico do Exército (CTEx), está testando veículos terrestres remotamente comandados desenvolvidos com tecnologia nacional. Reportagem da Sputnik Brasil revela que o Apollo, um veículo terrestre remotamente comandado que está passando por testes.
O Apollo é um veículo terrestre não tripulado (UGV), frequentemente descrito como um “mini tanque”, desenvolvido em parceria com a Base Industrial de Defesa (como a Ambipar Robótica e ARES Aeroespacial). O Exército Brasileiro realizou recentemente testes inéditos integrando o sistema de armas remotamente controlado REMAX ao UGV Apollo, permitindo que operadores realizem disparos a distância sem se expor no campo de batalha.
Segundo o especialista em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Éberson Polita, os drones podem ser aéreos, terrestres ou navais.
“Quando a gente pensa em drone, a gente pensa em drone aéreo, mas na realidade nós temos os drones terrestres e os navais. Na medida em que esse novo drone do Exército, que é um drone terrestre, avança, a gente está avançando em um novo domínio, num território que a gente não tinha, e nesse sentido é um salto muito interessante que o nosso Exército e a nossa indústria de defesa têm feito”, disse.

O pesquisador explica que o emprego dessas plataformas é tão eficaz quanto o dos dispositivos aéreos, embora com características próprias a serem exploradas.
“Um drone como a gente olha o drone do Apollo, como o Exército nomeou esse drone [terrestre] nesses últimos testes, ele é um mini tanque de guerra. Ele é um pouco maior do que a noção que a gente tem de drone aéreo, que é um pouco menor”, comenta.
Segundo Polita, esse tipo de inovação ressalta um diferencial crucial para o país, já que o avanço tecnológico em plataformas autônomas e mísseis nacionais impulsiona a soberania do país e projeta a indústria bélica brasileira rumo a um novo patamar de desenvolvimento.
“Esses testes sinalizam uma nova etapa para a indústria nacional de Defesa. Então, nesse sentido, é uma inovação que a gente está trazendo, e ela é muito interessante, e ela pode sinalizar, digamos assim, uma nova etapa, de fato, para a nossa indústria nacional de Defesa”, destaca.
Para o analista, o atual conflito russo-ucraniano reforça a importância dos drones tanto aéreos quanto terrestres em teatros de operações, o que salienta ainda mais a importância de contar com esses dispositivos nos arsenais militares.

“Do que o Exército nos informa, [os drones em teste] são genuinamente 100% nacionais, e isso é muito interessante. Mas em termos de diferença com o drone aéreo, a gente tem visto muito uso desses drones terrestres agora, ou pelo menos um salto no uso deles a partir da guerra russo-ucraniana”, observa.
Outro ponto levantado por Éberson Polita é que o domínio tecnológico de empresas brasileiras no desenvolvimento de drones de observação, muito comuns no agronegócio, pode ser facilmente adaptado para fins militares, desde que haja um projeto estruturado para essa transição.
“O ator, talvez o principal, que leva a inovação no nosso país e é um dos nossos pilares de motor de desenvolvimento é o agro, que puxa muitas startups. Da mesma maneira que um drone é usado para o agro, para uso civil, do mesmo jeito que se usa para o agro, pode fazer uma transferência dessa tecnologia para os militares”, conclui.
Em um sistema-mundo pressionado pelo recrudescimento de sanções unilaterais e por conflitos pelo controle de rotas comerciais, os países são impelidos a investir no desenvolvimento da Defesa para salvaguardar sua soberania. Nesse cenário, a produção de itens bélicos autóctones torna-se uma necessidade estratégica.
A Unidroid (Unidroid Robótica do Brasil), fabricante do veículo, é uma startup brasileira sediada em São José dos Campos (SP), especializada no desenvolvimento de robôs móveis para combate a incêndios, buscas, salvamentos, inspeções industriais e aplicações de defesa.
Com informações do Exercito Brasileiro e de Sputnik Brasil










