Cerca de metade do total das dívidas de 84,2 milhões de brasileiros estão atreladas a cartões de crédito (27,16%) e financeiras (20,66%)
O número de pessoas inadimplentes subiu no país entre agosto e setembro, chegando a 84,2 milhões de brasileiros, segundo pesquisa da Serasa, publicada nesta segunda-feira (2). O Mapa de Inadimplência da empresa mostra que 27,16% do total das dívidas estão atreladas a bancos e aos seus cartões de crédito, que impõem juros extorsivos aos consumidores.
Em seguida, estão as dívidas financeiras, com 20,66%, e os débitos com contas básicas, como luz, água e gás, que recuaram 20,71% para 20,32% do total das dívidas, evidenciando, segundo a Serasa “o avanço da participação das dívidas junto a instituições financeiras”.
De acordo com a Serasa, 51,1% da população adulta brasileira está inadimplente, o maior percentual registrado desde o início da série histórica, em 2016.
O levantamento, referente a setembro, revela que o país acumula R$ 597,4 bilhões em dívidas, montante 0,90% superior ao registrado em agosto. O valor médio devido por consumidor também avançou, chegando a R$ 7.093,83, equivalente a aproximadamente 4,4 salários-mínimos.
A inadimplência bate recorde no país, alimentada pelo alto nível da taxa básica de juros (Selic) do Banco Central (BC), hoje em 13,75% ao ano, encarecendo as linhas de crédito e o custo para rolar as dívidas das famílias em dificuldades financeiras.
Em setembro de 2026, a taxa média de juros no crédito livre cobrada pelos bancos alcançou 49,0% ao ano, segundo números do BC, sendo uma alta de 3,2 p.p. em doze meses. Para pessoas físicas, a taxa média de juros situou-se em 62,4% a.a., alta de 3,7 p.p. em doze meses. “Destacou-se o aumento da taxa média de cartão de crédito rotativo (6,8 p.p.)”, diz o BC.
Os juros do cartão de crédito no Brasil estão entre os mais altos do mundo. No rotativo, a média cobrada pelos bancos subiu de 444,9% em agosto para 451,7% ao ano em setembro. A taxa da modalidade parcelada chega a 193%. Já no cheque especial, a média dos juros cobrados pelas instituições financeiras chega a 139%.











