Ao dizer que juro do BC é “bolsa-banqueiro”, Lara Resende despertou a ira dos parasitas

Economista Lara Resende. Foto: Unicamp

Economista desmentiu que tivesse encontro marcado com Lula e creditou a notícia a quem queria desgastar sua análise de que o déficit primário do Brasil é um dos menores do mundo

O economista André Lara Resende fez um diagnóstico contundente da chantagem que é feita pelo sistema financeiro ao governo para manter os juros nas alturas e sangrar o orçamento público. Como era de se esperar, a reação dos banqueiros foi histérica.

O economista mostrou que o Brasil tem um dos menores déficits primários do mundo e explicou que o que força as despesas públicas são os juros mais altos do mundo, definidos pelo Banco Central independente. Resende propôs a criação de um novo órgão de manejo das políticas monetária e fiscal.

Diante da saraivada de críticas vindas do “mercado”, Lara Resende afirmou, em entrevista à BBC Brasil, que o objetivo de seu artigo era “responder porque a taxa básica de juros é extraordinariamente alta no Brasil e como escapar dessa armadilha”.

“Não significa subscrever que o país não tem problemas com gastos [públicos] e com tributação, mas não são eles que estão criando o problema do déficit fiscal brasileiro”, argumentou o economista.

Em 2025, o déficit, citado por ele, foi de 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com o Tesouro Nacional. Um dos menores do mundo. O gráfico mostrado (veja abaixo) por ele revela que os países que mais crescem no mundo têm déficits primários maiores do que o do Brasil.

Veja aqui uma parte da entrevista de Lara Resende à BBC

Na análise de Lara Resende, o desequilíbrio das contas públicas brasileiras é causado pelo juro básico elevado e não pelos gastos do governo propriamente — ao contrário do que aponta uma parte significativa do setor financeiro. Foi exatamente essa afirmação que gerou a fúria dos banqueiros.

Aí veio a afirmação mais dura com os especuladores que impõem um discurso único ao país em defesa de seus privilégios: “É uma ‘bolsa-rentista’: juros da dívida pública pagos aos detentores da dívida que são também a parcela mais rica da população. Juros altos é um fator concentrador de renda e riqueza”, afirmou Lara Resende.

O texto de análise de Resende foi publicado em setembro, antes do primeiro turno da eleição. Foi quando a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) compartilhou, na quarta-feira passada (28), o artigo em seu perfil nas redes sociais, apontando-o como “fundamental para enfrentar a ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira”, que a grita começou.

Lara Resende desmentiu que tivesse conversado com Lula ou que houvesse algum encontro agendado. Ele creditou a notícia a quem queria queimar sua análise sobre os juros altos e suas consequências para o país. Ele fez questão de destacar que as críticas foram todas oriundas do mercado financeiro e seus porta-vozes.

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