Ruína do Ueno Bank no Paraguai atinge Argentina e deixa mais de 900 desempregados

Agência do Ueno Bank fechada em Buenos Aires (Web)

Funcionários da Itti, empresa de software do mesmo grupo, ficaram sem salário, sem indenização e sem acesso às ferramentas de trabalho

O colapso do Ueno Bank, que levou à queda do presidente paraguaio Santiago Peña, atravessou a fronteira e atingiu a Argentina. Mais de 900 funcionários da Itti, empresa de tecnologia do mesmo conglomerado, perderam o emprego sem receber o salário do mês nem indenização, segundo o jornal Página/12.

A Itti pertence ao Grupo Vázquez, foi fundada em 2004 e opera na Argentina sob a razão social Kaitel SRL. Desenvolvia software para os setores financeiro, de saúde e de seguros, e o Ueno Bank era um de seus clientes. Entre as áreas instaladas em Buenos Aires havia desde administração e recursos humanos até design e desenvolvimento.

Os trabalhadores denunciaram terem sido abandonados com a suspensão obrigatória de 30 dias e a promessa de que o plano de saúde será mantido, sem prazo definido. “Nos deixaram sem nada”, relataram. Há funcionários em tratamento de câncer e com cirurgias de filhos pendentes, e os computadores já estão sendo bloqueados. Um contratado há menos de um ano disse que deve dinheiro a um banco e teme se endividar ainda mais até encontrar outro emprego.

Conforme relataram, houve uma onda de demissões dois meses antes. Na ocasião, a direção garantiu aos demais empregados que nada aconteceria. Parte dos afetados se mobilizou e realizou um protesto na quarta-feira (4) em frente ao o escritório da empresa, no bairro de Belgrano, em Buenos Aires, para exigir salários e indenizações.

A origem da crise está em Assunção. Em 2 de novembro, o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank e suspendeu suas operações. Cerca de 3 milhões clientes paraguaios – 60% dos que possuem contas – ficaram sem qualquer acesso a cartões, nem puderam fazer saques e transferências.

O índice de solvência era de 5,56%, menos da metade do mínimo regulatório de 12%, e foram constatadas inconsistências em empréstimos a empresas ligadas ao próprio Grupo Vázquez. O ex-presidente do Banco Central, Daniel Correa, admitiu que cerca de 600 milhões dos 2,8 bilhões de dólares em depósitos estavam vinculados a empresas do próprio banco.

O escândalo explodiu dentro do Palácio de los López, sede do governo da República do Paraguai, na quinta-feira (5), quando o Parlamento já avançava com o processo de impeachment. Pesava contra Peña a nomeação, em 2023, de Carlos Carvallo para o comando do Banco Central. Carvallo vinha de uma diretoria executiva do Ueno, e o próprio Peña teve ações do banco até março de 2025. Carvallo também precisou deixar o cargo, e o próprio dono do grupo, Federico Miguel Vázquez, foi detido pela polícia.

Para os depositantes, o Fundo de Garantia do Banco Central cobre até 75 salários mínimos, cerca de 228,72 milhões de guaranis por pessoa (38,6 mil dólares – 201,53 mil reais).

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