Uma análise do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), com base na Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, aponta que a indústria brasileira não cresce desde o último mês de abril.
Em setembro deste ano, a produção fabril mostrou recuo de -0,8% frente a agosto e queda de -2,5% na comparação com o ano anterior. Na análise, divulgada no dia 5 deste mês, a entidade destaca que não houve crescimento da produção no terceiro trimestre de 2026, após dois trimestres de expansão modesta e estimulada pelo ramo extrativo.
A indústria de transformação “acusou variação positiva em apenas um dos últimos seis trimestres”, diz o Iedi, ao ressaltar que o ramo que corresponde por mais de 80% da indústria geral é mais afetado pela “conjuntura de taxas de juros elevadas e endividamento de empresas e famílias”.
Entre julho e setembro deste ano, a produção da indústria de transformação recuou -2,2% na comparação com o mesmo período de 2025.
Ante a hostilidade do juro alto, a produção industrial assinalou taxa negativa nos três trimestres deste ano, na base interanual: -6,4% no primeiro trimestre; -4,7% no segundo trimestre e -4,1% no terceiro trimestre.
“A produção de bens de capital, como temos mostrado, cai desde o 2º trim/25”, lembra o IEDI.No último trimestre, a queda de -4,1% foi puxada pela “retração muito forte de bens de capital para a agricultura, de -31,6%, devido à escalada do endividamento dos produtores agrícolas”, explica e segue.
“Cabe mencionar ainda o declínio de bens de capital de uso misto, que foi de -9,4% ante jul-set/25, e daqueles de uso da própria indústria, que, embora menos intenso (-2,9%), vem se acumulando seguidamente desde o final do ano passado”.
Todos esses números revelados pelo Iedi alardeiam para uma mudança urgente na política monetária brasileira, que permita uma derrubada no patamar da taxa básica de juros (Selic) do Banco Central (BC), hoje em 13,15% ao ano, para aliviar a pressão dos juros sobre o caixa das empresas, destravar os investimentos produtivos e retomar a industrialização e o crescimento econômico do país.










