A casa caiu: Flávio é investigado por crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção

(Foto: reprodução de GGN)

Não adiantou Mendonça sentar em cima da investigação e tentar tirar Andrei do comando da PF. Os federais estão no encalço do criminoso e ele terá que se a ver com a Justiça

Agora já é público. O candidato do PL a presidente, Flávio Bolsonaro, está sendo investigado pela Polícia Federal por crime de receptação de dinheiro de Daniel Vorcaro. Esta notícia explica o motivo que levou André Mendonça a tentar tirar Andrei Rodrigues da direção da Polícia Federal. Ele queria atrasar ou impedir as investigações de seu protegido.

A informação de que Flávio consta na lista de investigados da PF veio à tona nesta sexta-feira (11), após o relator do caso levantar o sigilo a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin. A PF investiga Flávio por crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes que foram praticados no contexto do financiamento secreto do filme Dark Horse junto a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A investigação teve início em julho, após pedido da Polícia Federal.

O site Intercept Brasil já havia divulgado um áudio de conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, em que o candidato fascista solicita R$ 134 milhões ao banqueiro para financiar a produção cinematográfica. Vorcaro chegou a pagar R$ 65 milhões aos produtores do filme, via um fundo nos Estados Unidos.

Este fundo, chamado Havengate, gerido por Paulo Calixto, amigo e advogado de Eduard Boslonaro, estava inativo há quatro anos, segundo informações do Intercept e da colunista Malu Gaspar, de O Globo, e só passou a funcionar para receber o dinheiro solicitado por Flávio ao dono do Master.

Apesar de André Mendonça ainda manter sigilo sobre o conjunto do inquérito que investiga Flávio, escapou, na parte que o presidente do STF, ministro Edson Fachin mandou divulgar, que a Polícia Federal pediu a investigação, a Procuradoria-geral da República concordou e ela foi aberta.

São dois inquéritos. O primeiro, sob relatoria do ministro André Mendonça, apura os repasses feitos por Vorcaro a Flávio. a PF quer saber em que circunstâncias foram feitos, qual a origem do dinheiro, qual o montante exato e qual seu destino final. Investigadores suspeitam que parte dos recursos não tenha sido usada no filme. É no âmbito deste inquérito que Flávio consta na lista de investigados.

O segundo inquérito, sob relatoria do ministro Flávio Dino, investiga o uso de dinheiro público de emendas direcionadas à produtora Go Up Entertainment que intermediou dinheiro para bancar a produção bolsonarista. A PF fez uma operação nessa quinta-feira (10) e cumpriu mandados de busca e apreensão contra suspeitos de envolvimento em um esquema de desvio de emendas parlamentares. Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-RJ) e Karina Ferreira da Gama, dona da produtora responsável pelo filme.

Havia ainda uma investigação em São Paulo, conduzida pela Polícia Civil, para apurar um contrato de mais de R$ 150 milhões entre a Go Up e a prefeitura para instalação de pontos de wi-fi em bairros da periferia. O contrato não foi cumprido integralmente e existem suspeitas de que parte dos valores foi desviada. Esse inquérito passou a tramitar com Dino no STF. Esta investigação foi para o STF a pedido de Flávio Dino.

Segundo o site “The Intercept Brasil”, Flávio Bolsonaro teria negociado o repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na época, para financiar a produção. O ministro Flávio Dino autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Make Up, realizada conjuntamente pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) nessa quinta-feira (11).

A ação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Dino é o responsável por autorizar esse tipo de ação porque ele é o relator de processos no Supremo que investigam irregularidades no repasse desses recursos públicos, enviados por parlamentares para suas bases eleitorais.

O ministro também determinou a aplicação de medidas cautelares contra Mario Frias, proibindo o parlamentar de deixar o país e de manter qualquer contato com os demais investigados no inquérito que apura desvios de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares.

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