Lideranças do PL de Santa Catarina continuam resistindo à candidatura ao Senado Federal do ex-vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, pelo Estado, e a pressão da família Bolsonaro para que o carioca seja aceito tem resultado na divisão do partido.
Segundo matéria do UOL, o episódio mais recente, envolvendo Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato da família à Presidência da República, e a deputada Ana Campagnolo (PL-SC), teve até discussão pública nas redes sociais.
Ana Campagnolo publicou um vídeo com Flávio Bolsonaro, mas o candidato a presidente desdenhou do apoio e indicou fazer um favor à deputada ao gravar ao lado dela. Segundo ele, a gravação foi “mais um gesto de minha parte para buscarmos unidade”.
Em seguida, Flávio Bolsonaro pressionou Ana Campagnolo para que ela demonstrasse apoio à candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina.
“Gostaria que você também gravasse um vídeo apoiando o outro indicado de Jair Messias Bolsonaro ao Senado em Santa Catarina, meu irmão Carlos Bolsonaro”, disse.
“Caso não possa fazê-lo, vou compreender, mas também compreenda se eu te pedir pra não usar mais minha imagem nem a de Jair Bolsonaro. Posso contar com você?”, continuou o filho de Jair Bolsonaro.
Além do próprio caso, que demonstra o desânimo das lideranças do PL de Santa Catarina em relação à candidatura do ex-vereador do Rio de Janeiro, a resposta de Ana Campagnolo demonstrou que o apoio é apenas burocrático.
A deputada disse estar “à disposição de toda a nossa nominata majoritária para contribuir com gravações e demais ações de campanha”. Mas, “até o momento, não recebi mais nenhuma solicitação nesse sentido”.
A candidatura de Carlos Bolsonaro foi enfiada goela abaixo do PL de Santa Catarina e dos demais com os quais o partido tinha aliança.
Esse movimento empurrou o PP, que tenta a reeleição do senador Esperidião Amin (PP-SC), para a aliança que apoia João Rodrigues (PSD) ao governo de SC.
Enquanto isso, Campagnolo sofre ataques de aliados de Flávio e Carlos. Um deles é o senador Jorge Seif (PL-SC). Seif a chamou de “Joice Catarinense”, referência a Joice Hasselmann. Campagnolo não cede.
“A única coisa que eu fiz foi discordar de uma estratégia ruim [Carlos como candidato ao Senado de SC]. O presidente Bolsonaro está preso. Será que ninguém admite que, se ele está preso, é porque tiveram diversas estratégias ruins, além de toda a perseguição do sistema?”, disse ela, discípula do fascista falecido Olavo de Carvalho, em uma live com a deputada Júlia Zanatta (PL-SC), em 7 de novembro de 2025.
E Carlos Bolsonaro continua atacando os aliados do PL catarinense de traição. Em abril, publicou no X um texto sobre um “grupelho” que tentaria, “de dentro para fora”, “usurpar, vilipendiar, calar e assassinar Jair Bolsonaro, objetivando capturar sua base, seus eleitores e sua identidade popular”.











