300 lojas são fechadas e 3 mil funcionários demitidos
Com um prejuízo de R$ 10,1 no segundo trimestre deste ano, o grupo Casas Bahia anunciou um pedido de Recuperação Judicial neste domingo (16). Os objetivos do pedido são suspender por 180 dias a pressão de fornecedores sobre o caixa da empresa, com a suspensão imediata de todas as execuções e cobranças de dívidas, inclusive o confisco de recebíveis dos cartões de crédito, bem como chamá-los para uma negociação ampla de suas dívidas, no total de R$ 17,3 bilhões.
A crise que atingiu as empresas do grupo levou-as a fechar cerca de 300 lojas e demitir três mil funcionários apenas neste mês. A holding é composta por dez empresas, entre mais conhecidas estão a Casas Bahia, o Ponto (ex-Ponto Frio), o e-commerce Extra.com, assim como a Bartira, fabricante de móveis, as demais são subsidiárias de logística e tecnologia.
Segundo as empresas, o pedido se tornou necessário frente a deterioração da situação financeira, em meio ao contexto de juros exorbitantes no país, que encarecem o crédito e aumentam os custos financeiros, como também ao consumo mais fraco, que reduziu sua capacidade de gerar caixa.
Todos os fatores assinalados se traduzem em um só, ou seja, os juros excessivos. Eles encarecem o crédito, impedindo que aquela tão conhecida “parcelinha mensal” encaixe no orçamento das famílias, reduzindo as vendas.
Tornam os custos financeiros com juros de empréstimos, financiamentos, para rolar a falta de geração de caixa para o capital de giro, mais caros e ainda na obtenção de recursos com a emissão de debêntures e CCBs (Cédulas de Crédito Bancário).
O cenário de juros extorsivos não só atingiu o grupo de empresas nas suas transações diretas com consumidores e fornecedores, mas também o impacta pela desaceleração da economia, e seus efeitos na população, que a taxa Selic, taxa base da economia, nas alturas, provoca.
Segundo o Banco Central (BC), no recente crédito livre para pessoas jurídicas, a taxa média de juros tem oscilado em torno de 22% a 25% ao ano.











