China promete barrar “asfixia” da economia iraniana pelos EUA

Porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian - Foto: AFP

“A cooperação entre China e Irã sempre aconteceu dentro do marco do direito internacional e não deve ser alvo de interferências ou perturbações”, disse o porta-voz do governo chinês

Depois de sofrer uma derrota militar em sua agressão ao Irã, os Estados Unidos ameaçam o país persa com bloqueio econômico para “asfixiar os iranianos”. A iniciativa parece que terá o mesmo destino dos ataques aéreos e dos bombardeios, ou seja, também será derrotada pelo povo e o governo iranianos.

O principal parceiro comercial do Irã, a China, anunciou nesta terça-feira (25) que não vai aceitar pressões para interromper seu comércio com o país agredido. “O comércio com Irã não deve ser alvo de interferências”, disse porta-voz do governo chinês, Lin Jian. A China é um dos principais compradores do petróleo iraniano Pequim defende um cessar-fogo no conflito e insiste que as avaliações americanas não resolverão a guerra.

O país asiático afirmou que defenderá seus interesses e não deixará de negociar com o Irã após os Estados Unidos anunciarem sua leva de sanções contra o governo iraniano e ameaçarem países que não aderirem à “asfixia econômica” que Washington anuncia que vai impor a Teerã.

“A cooperação entre China e Irã sempre aconteceu dentro do marco do direito internacional e não deve ser alvo de interferências ou perturbações. A China já afirmou em diversas vezes que se opõe de modo veemente às avaliações unilaterais prejudiciais (…) A China tomará todas as medidas de segurança para salvaguardar com firmeza seus direitos e interesses”, afirmou Lin Jian,

Enquanto a China resiste abertamente às sanções norte-americanas e os Emirados Árabes Unidos suspendem o comércio apenas temporariamente, os EUA não contam com a cooperação internacional plena necessária para isolar efetivamente o Irã. Além disso, o Irã mantém uma influência regional significativa por meio de aliados, exportações de energia e controle sobre o estreito de Ormuz, o que lhe confere amplos recursos para retaliar e impedir um cerco econômico total.

O Departamento do Tesouro norte-americano afirmou ter sancionado cerca de 60 pessoas, entidades e embarcações ligadas governo iraniano e que atuam em áreas de energia nuclear, de produção de mísseis, cibernéticas e de petróleo. As sanções fazem parte de uma “guerra econômica” que Trump anunciou na semana passada para tentar sufocar a economia iraniana. Trump já havia dito que esta segunda-feira seria o “Dia D da guerra econômica”.

O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, que anunciou as sanções, afirmou que Trump está pedindo para que líderes mundiais cessem relações com o Irã. “O presidente Donald Trump está ligando para líderes mundiais com pedidos específicos para que cessem suas interações com o Irã”, disse Bessent.

O secretário afirmou ainda que Washington definiu um cronograma para que cada país vá interrompendo suas “atividades” com o regime iraniano. “Se eles não interromperem essas atividades, nos faremos isso de forma unilateral através de autoridades do Tesouro”, ameaçou Bessent.

O Irã minimizou a ofensiva econômica dos EUA e disse estar preparado. “Sanções não são novidade”, disse o governo, garantindo que toda a agressão receberá uma resposta à altura. O Irã chamou a nova pressão econômica de Washington contra o povo iraniano de “a mesma velha arrogância de sempre dos Estados Unidos.”

As autoridades iranianas afirmam que a guerra econômica de Trump está fadada ao fracasso, lembrando que presidentes americanos anteriores, como Barack Obama, também propuseram medidas para sufocar a economia que não funcionaram.

O ministro interino da Defesa do Irã alertou os EUA que a pressão sobre os meios de subsistência e a segurança das pessoas faz parte da guerra e será respondida. “Qualquer pressão voltada para o sustento e segurança do povo faz parte da guerra”, disse o ministro interino da Defesa do Irã, General de Brigada Seyed Majid Ebn Reza, na terça-feira, em uma postagem em sua conta X.

O General Ebn Reza ressaltou que, para o Irã, a economia, o bem-estar e o conforto da população, juntamente com a segurança, fazem parte do campo de defesa. “Aqueles que ampliam o escopo da pressão devem saber que nós também, em defesa do povo, ampliaremos esse alcance dentro do âmbito dos interesses nacionais”, disse ele.

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