Colômbia para contra “governo direitista de Abelardo” que corta subsídios à energia elétrica

Denunciando cortes na Educação e Saúde púplicas, erguendo bandeiras, entoando palavras de ordem e cantando canções patrióticas, uma multidão realizou a primeira paralisação nacional contra o governo de Abelardo de la Espriella e tomou as ruas das 100 principais cidades do país em oposição aos desmandos da marionete de Trump

Erguendo bandeiras, entoando palavras de ordem como “Abelardo, o povo não cai nessa”, além de canções patrióticas, centenas de milhares de manifestantes tomaram as ruas das principais cidades da Colômbia nesta quarta-feira (14), na primeira paralisação nacional contra o governo fascista de Abelardo de la Espriella.

Convocada por centrais sindicais, entidades estudantis, comunidades indígenas, organizações de direitos humanos e partidos de oposição, a mobilização inaugurou um ciclo de protestos contra o retrocesso neoliberal e pela manutenção dos direitos sociais e trabalhistas ameaçados pelo ultradireitista, colocando ênfase na defesa dos recursos educacionais, da saúde e da reforma agrária.

O evento multitudinário que tomou a capital, Bogotá, e localidades como Barranquilla, Bucaramanga, Cali, Neiva, Pereira, Pasto, Santa Marta e Tunja, ocorreu um dia após Espriella abandonar o posto de presidente e agir como fantoche de Trump, assinando um decreto que adultera os protocolos de atuação das forças de segurança. Com seu despacho, Espriella dá carta branca à repressão policial contra os oponentes, que passarão a ser tratados como inimigos do Estado. Para sindicatos e organizações civis, a medida é um brutal ataque ao direito de protestar.

CUT CONDENA “GOVERNO DE CUNHO FASCISTA”

“A Central Unitária de Trabalhadores (CUT) rejeitou o Decreto 1525 de 2026, expedido pelo governo de cunho fascista de Abelardo de la Espriella, às vésperas das mobilizações nacionais de hoje”, afirmou o presidente da entidade, Fabio Arias, assinalando que “os bloqueios e interrupções de vias são expressões próprias do protesto social e não constituem, por si sós, atos de violência”. “O seu exercício é protegido por padrões internacionais de direitos humanos e reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH)”, acrescentou.

Fábio Arias presidente da CUT colombiana no ato de Bogotá

Em entrevista exclusiva, Fabio Arias resgatou o significado de ter havido “grandes mobilizações em mais de 100 municípios da Colômbia, lotando praças e ruas em oposição ao governo”. O dirigente reiterou que “essa é a primeira resposta contra todas as medidas regressivas que Abelardo de la Espriella vem adotando, o que demonstra a existência de um contingente sólido de ativistas em nível nacional dispostos a manter uma mobilização contínua”.

“Pode-se dizer que, desta vez, as pessoas saíram muito mais engajadas; sendo esta a primeira manifestação ocorrida apenas dois meses após a posse de Abelardo, o que prenuncia uma forte expressão de resistência e, naturalmente, de desconforto e insatisfação com esse governo”, apontou. Apesar de Espriella ter tentado de todas as formas estigmatizar e intimidar quem pretendia participar do protesto, denunciou Arias, “como se vê, a população saiu em massa por todo o país, e esse é o dado mais significativo que temos”.

“PESSOAS SAÍRAM ÀS RUAS COM ALEGRIA, OTIMISTAS E DE FORMA PACÍFICA”

“Portanto, o balanço é positivo; ficamos bastante satisfeitos, pois muitos esperavam que as pessoas não fossem às ruas devido ao medo gerado pelas intervenções do governo, mas elas saíram com alegria, otimistas e de forma pacífica”, comemorou o dirigente cutista, assinalando que “não houve confrontos graves, mas apenas incidentes muito pontuais, esporádicos e isolados”.

Na avaliação de Fabio Arias, “a partir do êxito alcançado já se pode pensar coletivamente em outras ações a serem empreendidas rapidamente e que, obviamente, a mobilização continuará a escalar à medida que o governo adotar medidas regressivas”.

O decreto que lançaram sobre protocolos para o protesto social, alertou Arias, “permitia que a polícia agisse contra os manifestantes sem qualquer protocolo de diálogo, mediação ou dissuasão, mas sim de repressão”. “Como nossas marchas são pacíficas”, declarou, “não conseguiram colocar seu plano em prática”.

“PRAÇA DE BOLÍVAR FICOU COMPLETAMENTE LOTADA”

As pessoas concentradas nas 32 capitais dos departamentos (estados), além do Distrito Capital, “também fizeram mobilizações em muitos municípios”, explicou o presidente da CUT, citando inúmeras cidades intermediárias e industriais. “Estive aqui em Bogotá, na Praça de Bolívar, que ficou completamente lotada, e houve gente que não conseguiu chegar porque caiu um temporal daqueles, com um granizo forte. Mas, apesar disso, as pessoas permaneceram ali, não arredaram pé”, festejou.

O senador Wilson Neber, do Pacto Histórico, compreende que este é o momento oportuno para ir às ruas, citando os cortes anunciados por Espriella no Serviço Nacional de Aprendizagem (Sena) – a principal instituição pública voltada à formação profissional, técnica e tecnológica gratuita para a força de trabalho do país – e a absurda eliminação de subsídios à energia elétrica, sobretudo no Caribe.

Na marcha em Bogotá, esbanjando determinação, estudantes defenderam que a paralisação se manteria “faça chuva ou faça sol” – apesar da tempestade. Os jovens alertaram para os riscos ao Acordo de Paz, em meio aos cortes na política de reincorporação – mecanismo oficial do Estado que visa a facilitar a transição dos ex-combatentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC-EP) para a vida civil.

Outra denúncia focou no pacote de segurança do governo. Às vésperas da paralisação, De la Espriella anunciou que levará ao Congresso um decreto que cria um registro de “organizações terroristas” – no estilo que Trump propõe para o conjunto dos países da América Latina e Flávio Bolsonaro já se comprometeu a adotar, caso seja eleito.

LISTA DE LA ESPRIELLA AGRIDE A SOBERANIA NACIONAL

Lideranças oposicionistas alertaram que o mecanismo, apelidado de “Lista de la Espriella” e que segue o padrão estadunidense como a do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Office of Foreign Assets Control – OFAC) agride a soberania nacional, pois dá um cheque em branco à perseguição política a quem for considerado um “inimigo”, abrindo ostensivamente a possibilidade do ataque aos defensores da pátria e do interesse público.

O ex-senador Gustavo Bolívar advertiu sobre a presença de franco-atiradores nas imediações da Praça de Bolívar, postados por ordem do governo. “Neste momento, policiais armados com fuzis intimidam uma marcha alegre e pacífica, composta por pessoas tão firmes na defesa da vida e da democracia que nem mesmo o temporal com granizo conseguiu dispersá-las”, destacou.

“Posicionar homens armados com fuzis nos telhados a partir dos quais se vigia uma manifestação é uma mensagem direta de intimidação contra aqueles que protestam. Não podemos aceitar que o exercício de um direito fundamental implique fazê-lo sob a mira de armas”, reforçou a ONG Temblores em suas redes sociais.

“Virão outras jornadas de mobilização. Se o governo insistir teimosamente nesta pauta contrária aos direitos das pessoas, dos trabalhadores, partiremos para uma greve nacional que poderá ser por tempo indeterminado”, assegurou o ex-ministro do Trabalho Antonio Sanguino, do partido Aliança Verde.

“JAMAIS PERMITIREMOS QUE PISOTEIEM DIREITOS”, AFIRMOU IVÁN CEPEDA

Tendo perdido as eleições presidenciais no segundo turno em junho por menos de 1% dos votos (49,66% a 48,70%), Iván Cepeda foi aclamado pela multidão na marcha de Bogotá e sustentou que “jamais permitirá que pisoteiem os direitos das pessoas”, frisando que de nada adiantará Espriella tentar amedrontar e elevar o tom da perseguição, pois está diante de um povo determinado.

“O que o governo quer é intimidar as pessoas. Em segundo lugar, quer acabar com o diálogo que havíamos conseguido transformar em uma maneira de tornar o protesto social totalmente pacífico e sem problemas”, sustentou Cepeda, recordando que durante a gestão de Gustavo Petro (2022-2026), “não houve um único caso de um jovem que tenha perdido um olho por causa de uma bomba de gás lacrimogêneo, nem de alguém morto pela polícia”, algo que havia ocorrido sob a gestão de Iván Duque (2018-2022).

Além disso, acrescentou o líder oposicionista, temos agora um governo “autoritário e ditatorial, que está pisoteando os direitos das pessoas e quer acabar com a reforma agrária, a democracia e os avanços conquistados em quatro anos de governo Petro”, o que reforça a necessidade de a população se manter unida e mobilizada.

O ex-presidente Petro enalteceu a grandiosidade da mobilização na capital de Valle del Cauca, onde o terremoto de 10 de agosto passado deixou milhares de desabrigados, mas que superou as adversidades e não se intimidou. “O medo foi vencido. Esta é Cali”, sintetizou, divulgando imagens do imenso apoio ao protesto na localidade.

Sem rumo, Espriella chamou os organizadores do movimento de “instigadores da maldade” e prometeu enfrentar com “a determinação do tigre” – como doentiamente costuma se referir a si mesmo – a quem tentar “incendiar” o país. Para completar, justificou eventuais excessos e violações de direitos humanos como resultado da aplicação da lei contra bandidos. E quem condenar tais aberrações atuará como “cúmplice”, opinou.

Em pouco mais de 60 dias no poder, o mandatário trumpista contabiliza a morte de 70 supostos integrantes de grupos armados  e a prisão de 876 em operações.

LEONARDO WEXELL SEVERO

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