Crime hediondo contra ciclista é resultado do ódio instigado pelo bolsonarismo

Bandido bom é bandido morto. (Foto: reprodução)

“Isso é para você aprender a lição”, disse um dos agressores, ao filmar o assassinato. Eles estavam bem no espírito das milícias e dos grupos de extermínio. Os “valentões” espancaram Rafael até a morte

Um jovem passeando com a bicicleta da irmã em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, na noite de 11 de agosto, foi barbaramente assassinado por dois seguranças e dois entregadores de aplicativos. “Isso é para você aprender a lição”, disse um dos agressores ao filmar o assassinato do ciclista.

Eles concluíram que Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, era ladrão e se acharam no direito de julgá-lo e condená-lo sem o menor direito de defesa. Antes de agredi-lo, os fascistas perguntaram se a bicicleta era dele. O rapaz respondeu que não. Isso bastou para que o segurança Davi Santos Machado concluísse tratar-se de roubo.

Para eles, bandido bom é bandido morto, como dizem os bolsonaristas, e o assassinaram a pauladas. A bicicleta era da irmã de Rafael. Não era dele. Mais três pessoas se juntaram ao segurança e iniciaram o show de horrores. Foram 9 minutos de pancadaria até que Rafael perdesse a vida.

Rafael indefeso, foi espancado até a morte (reprodução)

Imagens mostram que o outro segurança, Jorge Luiz Ricardo Dias, retirou a bicicleta de Cláudio à força. A vítima tentou recuperar o objeto, foi agredido e correu. Não adiantou, ele foi alcançado pelos agressores. Rafael morreu depois de levar 57 pauladas dos seguranças e dos entregadores Felipe Eduardo dos Santos e Ailton José da Silva.

O único irregular ali, na verdade, era o “segurança”, que não tinha licença para exercer a profissão. Rafael passeava pela rua Barata Ribeiro e, sua aparência simples não agradou ao valentão de plantão. Aliás, não era tão valentão assim, tanto que precisou se juntar outros três covardes para agredir o garoto.

Cenas como esta é resultado da demagogia fascista que vem imperando no Brasil e que cria figuras como estes quatro “valentões”. Os fascistas apregoam as maravilhas das milícias e dos grupos de extermínio. Eles cultuam a morte e a covardia. São mentirosos. Instigam o ódio contra indefesos como Rafael, ao mesmo tempo que se envolvem até o pescoço com a alta criminalidade. A vida está cheia de exemplos desta hipocrisia.

É a dupla face com que os fascistas sempre se apresentam. Disparam discursos raivosos contra supostos ladrões, como o ciclista de Copacabana, ao mesmo tempo que recebem milhões na calada da noite de banqueiros ladrões e magnatas corruptos. A sociedade está farta desse cinismo. Indignada, ela quer punição para mais esse crime absurdo. O que o Brasil exige é o fim da demagogia fascista e que o Estado fortaleça de verdade a Segurança Pública no país.

SÉRGIO CRUZ

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