O regime de Kiev anunciou na terça-feira (21) a demissão do chefe do exército, general Aleksander Syrsky, que acontece 18 dias após a libertação da estratégica Konstantinovka no Donbass pelas tropas russas e seis dias depois da “Maidan de cartolina” em Kiev pela volta do ministro da Defesa, Mikhail Fedorov, afastado na semana passada junto com a premiê Yulia Svyrydenko e seu gabinete.
A queda de Syrsky faz lembrar como ele próprio substituíra o então chefe militar ucraniano Valerii Zaluzhnyi após o colapso dos neonazis em Mariupol, fracasso da contraofensiva no ano seguinte e um escândalo de corrupção. Ele será substituído pelo atual chefe de Estado Maior, general Mykhailo Drapatyi.
À semelhança de Zaluzhnyi na época, analistas apontam a súbita popularidade de Fedorov como uma das razões para ele ter sido afastado, já que Zelensky não gosta de concorrência. Círculos em Kiev têm semeado a propaganda de que Fedorov é o “gênio da ofensiva dos drones” contra a Rússia, que estaria sendo obstaculizado pelos generais conservadores, ridicularizados como “soviéticos”.
Também entre as motivações, segundo analistas, estaria a disputa pelo butim entre Syrsky e Fedorov, com o último tendo estabelecido novas normas para a corrupção; a OTAN e o bloco europeu acabam de prometer bilhões para a guerra de procuração contra a Rússia.
Na tentativa de manter o cargo, Syrsky se prestou a pedir desculpas a Fedorov publicamente por qualquer comentário “mal compreendido”, mas caiu do mesmo jeito. Zelensky anunciou ter oferecido a Fedorov um “cargo de destaque” em seu governo.
No regime de Zelensky, os casos de corrupção vivem espocando e em maio o chefe de gabinete dele, Andrey Yermak, foi forçado a renunciar. Antes, o empresário Timur Mindich, conhecido em Kiev como “carteira de Zelensky”, teve de se exilar em Israel após desvio de US$ 100 milhões da Energoatom, a estatal de geração nuclear de energia.
A libertação de Konstantinovka abre caminho para a libertação de Kramatorsk e Slawyansk – as derradeiras cidades-fortaleza sob controle de Kiev que ainda restam no Donbass.
PROTESTOS CONTRA A ‘BUSIFICAÇÃO’
Apesar de toda a chaleiragem sobre Fedorov, nos últimos meses na Ucrânia não cessam os protestos contra o recrutamento à força, que passou a ser conhecido como “busificação”, em referência a sequestros de homens no meio da rua por parte de agentes, que enfiam a vítima em uma van, de onde são levados para a morte certa no leste ucraniano, sob drones, artilharia e mísseis.
Em Lviv, centro histórico da extrema-direita ucraniana, no dia 9 de julho uma multidão enfurecida cercou oficiais e viraram seu veículo, após eles terem espancado um jovem para sequestrá-lo. Cenas de familiares e amigos socorrendo os seus e enfrentando os bate-paus de Zelensky têm viralizado nas redes sociais, apesar da censura de guerra. Além dos sequestros, há denúncia de que a corrupção impera nos centros de alistamento.
KRASNY LIMAN
Na extensa frente no Donbass, os russos continuam avançando e recentemente tomaram Krasny Liman, estratégico entrocamento ferroviário. Em retaliação à campanha terrorista desencadeada pelo regime de Kiev contra alvos civis russos dentro das profundezas da Rússia, o que inclui ataques a ônibus de passageiros, a dormitório de estudantes e à maior varejista online do país, a WildBerries, bem como ataques a refinarias, o exército russo apertou sua retaliação contra Kiev, Odessa e outras cidades, com uso de mísseis hipersônicos e drones avançados. O ataque russo de domingo passado a Kiev foi considerado o mais pesado desde o início dos combates. Na véspera, ataque ucraniano com drones à “Amazon russa” matou oito civis e feriu dezenas.











