Ato do Dia do Estudante reuniu milhares na Paulista contra ameaças à soberania nacional e políticas de privatização do governo Tarcísio
Milhares de estudantes de mais de 150 escolas de diferentes regiões da cidade de São Paulo ocuparam a Avenida Paulista nesta terça-feira (11), Dia do Estudante, em um ato convocado pela União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (UMES-SP), pela União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES) e pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). A manifestação teve como principais bandeiras a defesa da soberania nacional, da educação pública e o combate às políticas do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Com palavras de ordem como “Puxa-saco de americano, aqui não se cria” e “Em defesa do Brasil e da Educação”, os estudantes denunciaram as ameaças de Trump e do clã Bolsonaro à soberania nacional e a política de destruição da educação de São Paulo pelo governo Tarcísio.
Presidente da UMES-SP, Luna Martins afirmou que a mobilização representa uma resposta dos estudantes às tentativas de interferência estrangeira nas decisões do país. “Os estudantes não vão tolerar puxa-saco de americano, lacaios dos Estados Unidos tentando intervir nas eleições e nas decisões de nossa pátria”, declarou.
Segundo Luna, a mobilização também foi uma reação ao cenário da educação paulista. Ela criticou o governo Tarcísio e afirmou que os estudantes convivem diariamente com escolas em condições precárias e com a utilização crescente de aplicativos e plataformas digitais no ensino.
“Não aguentamos mais Tarcísio, apelidado não carinhosamente de ‘Tragédia de Freitas’, mentindo em rede nacional falando que a educação de São Paulo está perfeita”, afirmou.
A dirigente também cobrou o investimento de R$ 1 bilhão prometido pelo governo estadual para o ensino técnico. “Queremos a verba que o governador nos prometeu e ainda não chegou”, disse.

SOBERANIA NACIONAL
Presidente da UBES, Roberta Pontes afirmou que manifestações ocorreram em diferentes partes do país sob a bandeira de “Bolsonaro nunca mais, com soberania, educação e o fim da escala seis por um”. Para ela, a juventude tem papel central na defesa da democracia e na resistência ao retorno político da família Bolsonaro.
“Hoje os estudantes do Brasil inteiro estão se organizando nas ruas, né, em todo o Brasil, com um mote específico, que é ‘Bolsonaro nunca mais, com soberania, educação e o fim das escala seis por um’. A gente entende que nesse momento a nossa democracia, ela segue em risco por esses, que tentaram um golpe de Estado, por esses que mataram mais de 700 mil pessoas na pandemia e que nós, enquanto estudantes, que vivemos os cortes no governo Bolsonaro, jamais poderemos deixar com que essa família volte no poder e governe novamente o Brasil”, disse Bruna.
“Os estudantes estão na rua lutando por educação, soberania e o fim da escala seis por um, que a gente sabe que é uma pauta da nossa juventude, que atrapalha, infelizmente, muitos estudantes de permanecerem hoje dentro da sala de aula”, destacou.

A defesa da soberania foi apresentada pelos estudantes como parte inseparável da luta por educação pública. Diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE), Magu Haddad relacionou o ato de 11 de agosto à trajetória histórica do movimento estudantil e criticou aqueles que, segundo ela, defendem a entrega das riquezas brasileiras aos Estados Unidos.
“11 de agosto é considerado o Dia do Estudante e hoje se completam 89 anos da UNE e, para honrar essa memória de luta dos estudantes estamos nas ruas contra os traidores da pátria, porque Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e todas as suas corjas representa tudo de ruim, quer entregar tudo que é nosso nas mãos dos Estados Unidos e é por isso que nós estamos nas ruas para defender o nosso país”, destacou.
CONTRA A PRIVATIZAÇÃO E A PLATAFORMIZAÇÃO
As críticas ao processo de privatização da educação e das empresas públicas paulistas também estiveram entre os principais pontos do protesto. Para o presidente da UPES, Kauam Souza, a chamada plataformização do ensino faz parte de uma política que favorece grandes empresários e reduz a autonomia dos professores.
Segundo ele, o modelo contribui para transformar a educação em um espaço de negócios e para formar estudantes destinados ao mercado de trabalho precarizado.
“O governador usa [a plataformização] para favorecer os grandes empresários, mas, para além disso, para acabar com a educação paulista, tirar a liberdade dos professores de dar aula e também favorecer um projeto privatista”, afirmou.
A situação das Etecs e Fatecs também foi denunciada durante o ato. Fernando Salvador, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula Souza (Sinteps), afirmou que a privatização representa precarização e cobrou a contratação de professores.
“Nós seguimos em luta sindicatos e estudantes contra a precarização da nossa educação do estado de São Paulo. Chega de Etec sem professor, chega de Fatec sem professor. Nós queremos educação de qualidade. É isso companheirada, seguimos juntos sempre na luta”, declarou.
O vereador de Campinas e candidato a deputado estadual Gustavo Petta (PCdoB) também criticou a precarização, a privatização e a militarização da educação paulista. Ele classificou como histórica a greve realizada pela categoria no primeiro semestre e defendeu a mobilização conjunta entre estudantes e trabalhadores da educação.
“Essa mobilização aqui hoje aumenta o volume da insatisfação dos estudantes com esse governo. Com a insatisfação em relação à precarização e o desrespeito aos professores. A precarização, a privatização, a militarização, nós dizemos não. Por isso que no dia 11 de agosto, que é o dia que vamos celebrar também o aniversário da União Nacional dos Estudantes, nós sabemos que o coração das mobilizações da história do nosso país sempre foram construídas pelos estudantes. Do golpe da ditadura militar, da redemocratização, da luta pelo PROUNI, pelas cotas nas universidades, sempre tiveram um papel muito importante o movimento estudantil e a UNE”, ressaltou Gustavo, que foi presidente da UNE no início dos anos 2000.
Para Keila Pereira, presidente licenciada da Federação das Mulheres Paulistas, a propaganda do governo sobre a chamada “escola do futuro” não corresponde à realidade encontrada pelos estudantes. Segundo ela, as plataformas digitais estariam sendo utilizadas para beneficiar empresas ligadas ao governo, enquanto as escolas permanecem sucateadas.
“A escola do futuro que o Tarcísio gosta de propagandear, na verdade, está entregando uma escola cada vez mais sucateada. As plataformas digitais só servem é para dar lucro para os amigos dele e eu acho que isso demonstra assim uma consciência muito grande dessa juventude que entende, está vendo, na verdade, a escola caindo aos pedaços e ele fazendo uma propaganda linda sobre uma escola que não existe. E isso tem um peso ainda maior quando a gente também continua sob ameaça do fascismo, porque o Tarcísio é aliado de quem quer vender o Brasil, é aliado de quem quer entregar todas as nossas riquezas para o imperialismo, para os Estados Unidos, para o Trump. E uma coisa está relacionada à outra, porque sem as nossas riquezas, sem soberania nacional, sem o nosso investimento na nossa indústria, a gente também não vai ter educação de qualidade, nem agora, nem no futuro”, destacou Keila.

“A ESCOLA QUE EXISTE NÃO É A ESCOLA DA PROPAGANDA”
As falas dos estudantes durante o ato também expuseram problemas vividos dentro das escolas estaduais e técnicas. Quésia Bonato, estudante da Etec José Rocha Mendes, relatou problemas estruturais na unidade e afirmou que parte das instalações provisórias permanece há mais de uma década.
“É muito difícil você ir para a escola todo dia, querer estudar, querer aprender e não ter ensino de qualidade”, afirmou.
Yasmim dos Santos, presidente do grêmio da Escola Estadual Martim Francisco, defendeu a mobilização como instrumento para pressionar o poder público e criticou a privatização e a plataformização do ensino. Para ela, as plataformas colocam os estudantes em uma lógica voltada a metas e interesses econômicos, enquanto os serviços públicos permanecem precarizados.

Já estudantes da Escola Nossa Senhora Aparecida, na Vila Carioca, destacaram a desigualdade no acesso à educação. Miguel, vice-presidente do grêmio, afirmou que a precarização atinge especialmente alunos de regiões marginalizadas e defendeu uma escola capaz de garantir oportunidades, e não apenas preparar jovens para ocupar postos de trabalho de baixa remuneração.
O ato marcou o Dia do Estudante com uma mensagem política que uniu defesa da soberania nacional, oposição às políticas de privatização e plataformização e cobrança por investimentos na educação pública. Para os estudantes, a luta contra o sucateamento das escolas paulistas está diretamente ligada à defesa de um projeto de país soberano e capaz de garantir educação de qualidade e futuro para a juventude.











