O presidente cubano ressaltou: “o destino de Cuba não depende das decisões da Casa Branca”
Miguel Díaz-Canel, presidente cubano, afirmou em entrevista ao jornal mexicano La Jornada que “o destino de Cuba não depende das decisões da Casa Branca”, ou seja, só cabe aos cubanos a decisão dos destinos do país. Díaz-Canel ressaltou ainda o histórico interesse dos Estados Unidos em controlar a Ilha. Sua posição reforça a defesa da autodeterminação frente às ameaças externas.
Díaz-Canel reafirmou a disposição de seu país para dialogar com os Estados Unidos, desde que respeitada a soberania nacional. “A decisão de dialogar com os Estados Unidos é coletiva. Nela não está em jogo nosso sistema político e nenhuma decisão que seja própria de nosso povo e de nossos órgãos parlamentares, nossa soberania”, destacou o líder cubano.
“O maior fracasso dos governos dos Estados Unidos nesses 67 anos de revolução é não ter conseguido se apoderar de Cuba. Isso provoca raiva. Quero associar esse sentimento a algo que um general do exército explicou há muitos anos: quando a revolução triunfou e começou a implementar uma série de medidas voltadas para a independência, a soberania e a justiça social, quando aprovou a Lei da Reforma Agrária, cruzou o Rubicão. A partir daí, nunca nos perdoaram pelo progresso da revolução. Depois veio o bloqueio, as pressões de todos esses anos, a intensificação do conflito e toda essa história que revisitamos. Sem dúvida, esse fracasso provocou raiva”, constatou.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em mais um dos seus arroubos intervencionistas, afirmou nesta sexta-feira (27) que, após as recentes agressões das tropas dos EUA contra a Venezuela e o Irã, “Cuba é a próxima” na lista.
O chefe as Casa Branca relembrou em tom de auto-elogio que utilizou recentemente a Delta Force, unidade especial do Pentágono, para bombardear a capital venezuelana e sequestrar o presidente do país, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores.
Não se trata de um episódio isolado. Em 16 de maio do ano passado, Trump já havia classificado Cuba como uma “nação enfraquecida” e declarou que “tomar Cuba seria uma grande honra”. A repetição dessas ameaças expõe uma linha de pensamento que mostra as práticas históricas de invasão e ingerência dos Estados Unidos na região.
As declarações ocorrem em um contexto de forte pressão econômica sobre a ilha, particularmente o bloqueio petrolífero imposto por Washington desde janeiro, que agravou significativamente o déficit energético cubano. Parte da política mais ampla de asfixia econômica contra a ilha.
Apesar do discurso agressivo de Trump, o chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, general Francis Donovan, afirmou no Congresso não ter conhecimento de qualquer plano para apoiar grupos irregulares com o objetivo de promover uma mudança de regime na ilha. A fala contrasta com a retórica belicista do presidente mas pode ser um jogo combinado.
Donovan negou essa possibilidade depois que uma senadora lhe perguntou se algum exercício militar estava em andamento com o objetivo de assumir o controle da ilha.
O general também afirmou que o Pentágono só consideraria o envio de tropas em caso de supostas ameaças à embaixada dos Estados Unidos ou à base naval mantida em Guantánamo — cuja presença é historicamente contestada por Cuba.











