O presidente cubano ressaltou: “o destino de Cuba não depende das decisões da Casa Branca”
Miguel Díaz-Canel, presidente cubano, afirmou em entrevista ao jornal mexicano La Jornada no dia 27 de março que “o destino de Cuba não depende das decisões da Casa Branca”, ou seja, só cabe aos cubanos a decisão dos destinos do país. Díaz-Canel ressaltou ainda o histórico interesse dos Estados Unidos em controlar a Ilha. Sua posição reforça a defesa da autodeterminação frente às ameaças externas.
Díaz-Canel reafirmou a disposição de seu país para dialogar com os Estados Unidos, desde que respeitada a soberania nacional. “A decisão de dialogar com os Estados Unidos é coletiva. Nela não está em jogo nosso sistema político e nenhuma decisão que seja própria de nosso povo e de nossos órgãos parlamentares, nossa soberania”, destacou o líder cubano.
“O maior fracasso dos governos dos Estados Unidos nesses 67 anos de revolução é não ter conseguido se apoderar de Cuba. Isso provoca raiva. Quero associar esse sentimento a algo que um general do exército explicou há muitos anos: quando a revolução triunfou e começou a implementar uma série de medidas voltadas para a independência, a soberania e a justiça social, quando aprovou a Lei da Reforma Agrária, cruzou o Rubicão. A partir daí, nunca nos perdoaram pelo progresso da revolução. Depois veio o bloqueio, as pressões de todos esses anos, a intensificação do conflito e toda essa história que revisitamos. Sem dúvida, esse fracasso provocou raiva”, constatou.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em mais um dos seus arroubos intervencionistas, afirmou nesta sexta-feira (27) que, após as recentes agressões das tropas dos EUA contra a Venezuela e o Irã, “Cuba é a próxima” na lista.
O chefe as Casa Branca relembrou em tom de auto-elogio que utilizou recentemente a Delta Force, unidade especial do Pentágono, para bombardear a capital venezuelana e sequestrar o presidente do país, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores.
Não se trata de um episódio isolado. Em 16 de maio do ano passado, Trump já havia classificado Cuba como uma “nação enfraquecida” e declarou que “tomar Cuba seria uma grande honra”. A repetição dessas ameaças expõe uma linha de pensamento que mostra as práticas históricas de invasão e ingerência dos Estados Unidos na região.
As declarações ocorrem em um contexto de forte pressão econômica sobre a ilha, particularmente o bloqueio petrolífero imposto por Washington desde janeiro, que agravou significativamente o déficit energético cubano. Parte da política mais ampla de asfixia econômica contra a ilha.
Apesar do discurso agressivo de Trump, o chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, general Francis Donovan, afirmou no Congresso não ter conhecimento de qualquer plano para apoiar grupos irregulares com o objetivo de promover uma mudança de regime na ilha. A fala contrasta com a retórica belicista do presidente mas pode ser um jogo combinado.
Donovan negou essa possibilidade depois que uma senadora lhe perguntou se algum exercício militar estava em andamento com o objetivo de assumir o controle da ilha.
O general também afirmou que o Pentágono só consideraria o envio de tropas em caso de supostas ameaças à embaixada dos Estados Unidos ou à base naval mantida em Guantánamo — cuja presença é historicamente contestada por Cuba.











