“Milei foi ao Brasil para gritar como um energúmeno, exigindo ver um golpista preso”, afirmou o ex-presidente Alberto Fernández
O ex-presidente da Argentina, Alberto Fernández, disse que o atual mandatário, Javier Milei, agiu como um “energúmeno” para defender o “golpista preso” Jair Bolsonaro e “insultar o presidente de um país irmão”.
No sábado (25), Milei esteve no Brasil para participar da convenção do PL e chamou Lula de “corrupto” e o ministro Alexandre de Moraes de “lixo careca”. O presidente argentino ainda reclamou de não ter autorização para visitar Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar e foi condenado por tentativa de golpe de Estado.
Alberto Fernández disse que essa situação é diferente da de 2019, quando ele visitou Lula na prisão.
“Milei foi ao Brasil para gritar como um energúmeno, exigindo ver um golpista preso. Eu fui a Curitiba exigindo a liberdade de um inocente. Hoje Lula é presidente do Brasil e Bolsonaro está preso por promover um golpe de Estado”, escreveu em suas redes sociais.
“Insultar o presidente de um país irmão e principal sócio comercial não tem perdão”, completou.
O governo brasileiro chamou de volta o embaixador do Brasil na Argentina para consulta e também convocou o embaixador argentino para prestar esclarecimentos.
Na avaliação do chanceler Mauro Vieira, “é inaceitável o que foi dito no território brasileiro sobre as instituições brasileiras e o presidente da República”.
PARLAMENTARES ARGENTINOS
Mais de 30 parlamentares argentinos apresentaram na Câmara dos Deputados do país uma nota de repúdio aos ataques de Javier Milei às autoridades brasileiras.
O deputado Jorge Taiana, que encabeça a proposta, disse que “as declarações de Milei nos envergonham como argentinos”.
Os ataques feitos a Lula e ao Judiciário brasileiro no contexto de um evento eleitoral – o lançamento da campanha de Flávio Bolsonaro – “constituem flagrante interferência nos assuntos internos de outro Estado, violando princípios fundamentais do direito internacional, como a não intervenção e a autodeterminação dos povos, pilares que historicamente norteiam a política externa argentina”, diz o documento que foi proposto.
“Tal conduta se desvia das obrigações constitucionais e dos princípios de neutralidade que devem reger as ações do serviço diplomático”, complementa a nota.
Os mais de 30 parlamentares expressaram “enérgico repúdio aos episódios e às calúnias e injúrias violentas emitidas” por Javier Milei e destacaram que o ato foi “uma grave afetação das relações diplomáticas bilaterais e da política exterior da nação [Argentina]”.
EX-ALIADA DE MILEI PEDE DESCULPAS
A deputada Marcela Marina Pagano, que foi eleita inicialmente apoiando Javier Milei, publicou uma carta dizendo que ele disse “não representa a República Argentina”.
Hoje rompida com Milei, Marcela Pagano pediu desculpas a Lula e destacando que o presidente da Argentina agiu de forma “lamentável”.
A deputada, que comentou sobre a tradição de cooperação e apoio mútuo no âmbito diplomático entre Brasil e Argentina, destacou a importância das relações comerciais entre os países.
“Trata-se de um comércio de mão dupla. A Argentina também é um mercado central para a indústria brasileira, para sua produção de bens de capital e de consumo durável. Somos, um para o outro, aquilo que nenhum parceiro extrarregional pode ser: o cliente que compra manufaturas, o vizinho que compra trabalho”, disse.










