Em sabatina, candidato ao governo de SP criticou ainda a política de segurança de Tarcísio e promete rever privatização da Sabesp
Candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) alertou para os riscos que uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República representaria para o Brasil. Durante sabatina promovida pela CBN, O Globo e Valor Econômico, nesta quarta-feira, 19, Haddad afirmou que a disputa no maior colégio eleitoral do país também faz parte de um projeto nacional de defesa da democracia.
“Eu penso que o Brasil corre um grave risco institucional. Não sei se todo mundo conhece o Flávio Bolsonaro como eu conheço, mas esse rapaz é um risco para o país tanto do ponto de vista econômico, social e internacional. Ele é um problema muito grande e eu não posso conceber a hipótese de ele assumir a Presidência da República”, afirmou.
Haddad disse estar consciente do desafio de enfrentar o bolsonarismo em torno da reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos), diante de um bloco que classificou como ultraconservador. “É um bloco ultraconservador como eu nunca vi em São Paulo. E o paradoxo é que isso está sendo feito em torno de resultados muito aquém do que São Paulo merece”, criticou.
Sobre a segurança, Haddad afirmou que a letalidade policial aumentou 80% durante o atual governo. O ex-ministro defendeu a retomada das câmeras corporais em funcionamento ininterrupto e prometeu ampliar o uso de tecnologia e Inteligência Artificial no combate ao crime.
Haddad também criticou o programa Muralha Paulista, que recebeu cerca de R$ 600 milhões em investimentos, segundo o candidato. Para ele, o programa não apresentou resultados.
“O que custa não é nada comparado com as vidas que vai salvar. Essas tecnologias estão sendo barateadas a todo tempo. O Tarcísio botou R$600 milhões na Muralha Paulista e não resultou em nada. Então nós vamos ter uma tecnologia provada e aprovada que funciona. A letalidade policial subiu 80% no governo Tarcísio. A morte de policial e fora dele, inclusive por suicídio, aumentou”, afirmou.
O candidato disse ainda que São Paulo tem baixa capacidade de investigação criminal. Segundo Haddad, apenas 5% dos crimes são investigados no estado e a autoria é esclarecida em 31% dos homicídios.
Ele também defendeu a ampliação maior das tecnologias e criticou a forma como Tarcísio administra a implementações tecnológicas nas polícias paulistas, mesmo com restrições orçamentárias do Tesouro estadual.
“Tem que voltar à câmara, eu sou a favor disso desde 2022, e ele [Tarcísio] fica ziguezagueando. Quando fica mal com a elite ele fica ‘ah, vou fazer’, quando fica mais com as polícias fica ‘ah, não vou fazer’. Inclusive essas câmeras que estão sendo instaladas nas ruas precisam de inteligência por trás, não adianta instalar câmeras nas ruas e imaginar que os dados vão favorecer investigação e patrulhamento, não vão”, disse.
“O combate ao crime organizado vai ser pela agência que eu vou criar pela primeira vez. E o tratamento de dependentes químicos com a saúde. Porque você não vai conseguir acabar com o PCC e o Comando Vermelho em SP só com a estrutura que está aí…”, continuou.
Essa proposta prevê a integração de órgãos como Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público para compartilhar informações de inteligência.
Sobre as privatizações, o candidato avalia reestatizar a Sabesp, privatizada durante a gestão Tarcísio. Haddad afirmou que fará uma análise detalhada do contrato.
Haddad reconheceu que uma eventual reestatização envolveria uma operação juridicamente complexa. Ao mesmo tempo, disse que há espaço para negociar mudanças com a concessionária em defesa dos interesses da população.
O candidato petista criticou a qualidade dos serviços prestados pela empresa e afirmou que a Sabesp é “recordista de queixas no Procon”. Também citou problemas de abastecimento e aumento das contas de água e disse que a promessa de redução da tarifa não foi cumprida.
A estratégia, segundo Haddad, será fazer um “pente-fino” no contrato e avaliar alternativas para melhorar o serviço antes de definir se haverá ou não uma tentativa de retomada do controle estatal da companhia.











