Gasto com juro ultrapassa a marca escandalosa de R$ 1 trilhão em 2025

Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

Banqueiros e rentistas fizeram a festa e continuam a pressionar o governo por cortes nos investimentos produtivos e em programas sociais

A taxa básica de juros (Selic) de 15% do Banco Central (BC) garantiu aos banqueiros e rentistas a soma de R$ 1.007,6 trilhão (um trilhão, sete bilhões e seiscentos milhões de reais), ao todo, no ano de 2025, Esta foi a despesa só com o pagamento dos juros da dívida pública. Os dados são do relatório de “Estatísticas Fiscais” do BC, divulgados nesta sexta-feira (30).    

Nos 12 meses de 2024, esse gasto do setor público (União, Estados/municípios e estatais) foi de R$ 950,4 bilhões (novecentos e cinquenta bilhões e quatrocentos milhões de reais). Apenas em dezembro de 2025, a despesa com a especulação somou R$ 121,8 bilhões, volume que supera o mesmo mês de 2024 (R$ 96,1 bilhões).

Reprodução BCB

São recursos públicos transferidos da saúde, educação, previdência e assistência social e segurança pública para enriquecer meia dúzia de bancos e demais rentistas.

Nesta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu manter a Selic em 15% até a próxima reunião, que ocorrerá em março deste ano, Há seis meses a taxa básica de juros está neste patamar, a maior em 20 anos. Descontada a inflação, o juro real está próximo dos 11% ao ano, o segunda maior do planeta.  

A decisão do BC de postergar o corte da Selic para março segue conforme o desejo dos banqueiros, que, ao demandarem mais gastos cobram a manutenção do arrocho fiscal – ou seja, restrições de investimentos e piora dos serviços públicos – sob o argumento falacioso de falta de credibilidade fiscal – quando, na verdade, são os juros altos que alimentam o crescimento da dívida pública.  

Em 2025, a dívida bruta do Brasil atingiu R$ 10 trilhões, o que equivale a 78,7% do PIB, um crescimento de 2,4 ponto percentual do PIB em relação a 2024. “Essa evolução refletiu, principalmente, os impactos da incorporação de juros nominais (+8,9 p.p.)”, afirma o BC no seu relatório de “Estatísticas Fiscais”. 

Apesar do Brasil ter uma dívida interna razoavelmente baixa quando comparada com outras economias do mundo, o crescimento das despesas primárias, investimentos e até a valorização do salário mínimo foram amarrados ao teto de gastos de 2,5% ao ano (em termos reais), definido pela lei do arcabouço fiscal. Este teto limita também o crescimento das despesas a 70% do aumento da arrecadação. Ou seja, em caso de não aumento das receitas, exige-se cortes orçamentários.   

Essa lógica não atinge a despesa com juros, que permanece livre de qualquer controle e cresceu mais de 6% ou, em números absolutos, R$ 57,2 bilhões entre 2024 e 2025.  

A economia brasileira, que cresceu 3,2% em 2023 e 3,4% em 2024, desacelerou no ano passado, afetada pelos juros altos. O próprio governo prevê uma redução de crescimento do PIB para 2,2% em 2025, segundo o Ministério da Fazenda.

As previsões do “mercado” para o Produto Interno Bruto (PIB) giram em torno de 2,1% em 2025 e 1,6% em 2026.

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