Gestão Bolsonaro permitiu empresas usarem a manobra de encolher produtos e manter preços altos

A diminuição de produtos para manter os preços altos aconteceu no governo anterior (Foto: Reprodução - Redes sociais)

Flávio Bolsonaro diz que Lula é o responsável, mas foi no governo do seu pai que a chamada “reduflação” foi utilizada em larga escala

No horário eleitoral gratuito, o candidato a presidente Flávio Bolsonaro tentou responsabilizar Lula pela manobra das empresas de encolher produtos e baratear ingredientes sem reduzir os preços aos consumidores.

O candidato omite, no entanto, que foi o governo do seu pai o responsável por ressuscitar a “reduflação”.

Flávio também se esquece de falar que a inflação dos alimentos explodiu no governo Bolsonaro, agravando ainda mais a fome do povo brasileiro, já afetado pela forte perda do poder de compra e pelo alto desemprego.

O ambiente econômico do governo Bolsonaro (2019 a 2022) foi perfeito para alavancar a reduflação, uma velha estratégia comercial usada pelas empresas para absorver a alta dos custos de produção e sustentar seus lucros na crise.

No período Bolsonaro, a inflação geral (IPCA) acumulada foi de 27%, enquanto o grupo de Alimentação e Bebidas disparou para 46,24%, com a inflação da alimentação no domicílio chegando à impressionante marca de 56,26% e a alimentação fora do domicílio batendo nos 25,22% – cálculos com base em números do IBGE.

A disparada nos preços da alimentação foi puxada por itens como óleo de soja (174,3%), morango (172,4%), feijão-fradinho (148,9%), feijão-carioca (130,8%) e leite longa vida (130,5%).

A inflação no Brasil se agravou porque a gestão de Jair Bolsonaro foi marcada por uma postura omissa, fundamentada na premissa de “autorregulação” do mercado. Essa inação deixou o Brasil vulnerável e sem rede de proteção contra os danos da desorganização das cadeias global de logística e abastecimento gerada pela pandemia de Covid-19 e posteriormente pela guerra na Ucrânia, enquanto o dólar nas alturas esvaziava o mercado interno para bater recordes de exportação de commodities.

Em meio à carestia dos alimentos, o desemprego chegou a bater o recorde de 14,7% no primeiro semestre de 2021 e encerrou o ano de 2022 em 9,3%. Foi neste cenário que brasileiros foram flagrados recolhendo ossos na caçamba de descarte do Mercadão, no Centro de SP; na caçamba  do caminhão dos ossinhos na zona sul do Rio de Janeiro; e restos de alimentos em latões de lixo espalhados pelo território nacional.

Em números absolutos, cerca de 125,2 milhões de brasileiros sofriam com algum nível de insegurança alimentar, sendo que 33 milhões passavam fome, segundo dados do “Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil”, da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (PENSSAN).

Diante da explosão da reduflação no governo Bolsonaro, o Ministério da Justiça e Segurança Pública da época foi obrigado a atualizar as regras de transparência, fazendo com que empresas comunicassem a diminuição dos produtos ao consumidor. Contudo, a Portaria nº 392 de setembro de 2021 apenas regulamentou o “como avisar”, sem impedir a estratégia comercial em si.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *