Governo decide usar “reciprocidade” para defender o Brasil das agressões descabidas de Trump

(Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Projeto de reciprocidade foi aprovado por unanimidade pelo Congresso Nacional. Planalto afirma que insistirá também nas negociações

O governo brasileiro deu início na quinta-feira (13) ao processo formal que propõe responder, com base na Lei de Reciprocidade, às agressões do governo de Donald Trump ao Brasil. Os EUA impuseram sobretaxas de até 37,5% aos produtos brasileiros. Em nota, o Palácio do Planalto reafirma que “as tarifas são injustificadas e arbitrárias, e o Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis”.

Desde julho deste ano, o governo dos EUA impõe, com alegações sem nenhum fundamento, novas sobretaxas pesadas às exportações brasileiras, uma tarifa adicional de 25% que atinge 3 mil produtos, além de outra alíquota adicional de 12,5% aplicada para alguns desses itens. Acumuladas, as alíquotas podem chegar a até 37,5%, dependendo do produto.

Na nota, a Secom explica que, nesta primeira fase, “em cumprimento ao artigo 16 do referido Decreto, o Ministério das Relações Exteriores está notificando o governo dos Estados Unidos sobre o início do processo e solicitando a realização de consultas diplomáticas”. A Lei de reciprocidade brasileira foi aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional.

“As consultas diplomáticas, que visam mitigar ou anular os efeitos das medidas e das contramedidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica, reforçam a disposição do governo brasileiro de privilegiar o diálogo e a negociação em suas relações internacionais”, afirma o governo brasileiro.

No comunicado, o governo Lula também reafirmou que “seguirá atuando para reduzir os danos causados pelas tarifas dos Estados Unidos à economia e à renda dos brasileiros”, com “medidas de proteção aos setores afetados pelas tarifas por meio do Plano Brasil Soberano”.

O presidente Lula também já liberou R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas prejudicadas pelos tarifaços dos EUA e para negócios brasileiros impactados pela guerra de Donald Trump contra o Irã.

Afetadas por tarifas adicionais, as exportações brasileiras para os EUA recuaram 12,2% no primeiro trimestre de 2026, em relação ao mesmo período do ano passado. A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) afirma que “o recuo representa cerca de US$ 2,9 bilhões a menos em vendas ao mercado norte-americano e levou as exportações brasileiras aos Estados Unidos ao menor nível dos últimos três anos”.

Por meio da aplicação de tarifas e chantagens, Donald Trump exige que os países abram mão de seus comércios, de suas riquezas e até de sua própria soberania para atender a interesses exclusivos das empresas estadunidenses. Os EUA, que estão em decadência econômica, tenta impor seus interesses e impedir que os países afetados ampliem seu comércio com a China, cujo foco é o respeito à autodeterminação dos povos e a cooperação entre as nações.

Depois de esbravejar que os comerciantes da 25 de Março e o PIX do Brasil (sistema de pagamentos gratuito e instantâneos) estariam prejudicando empresas dos EUA, Washington agora acusa o Brasil de ajudar o gigante asiático a driblar tarifas.

Por meio de um relatório, divulgado na quinta-feira (13), a Casa Branca diz que a China vem utilizando a prática de triangulação comercial (ou seja, desviar cargas, montar ou processar em um país intermediário para ocultar a verdadeira origem do produto) como forma de colocar seus produtos nos EUA.

Além do Brasil, os EUA se intrometem também em outros 39 países que, segundo Washington, contribuiriam com Pequim a burlar as tarifas de importação estadunidenses. No relatório, o Brasil foi incluído no “nível 2” de risco com Pequim, classificado como “integração econômica significativa”, ao lado de países como Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã.

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