Governo indiano rompe acordo e protestos exigem libertação de manifestantes presos

Partido Popular comemora saída do ministro da Educação, mas adverte que “qualquer recusa em libertar os detidos ou em retirar as acusações criminais configura uma quebra de confiança pública” (AFP)

“Nossa decisão de suspender os protestos foi tomada unicamente com base nas promessas do governo”, afirmou o porta-voz do movimento, Saurav Das

“Exigimos que todas as pessoas detidas sejam libertadas imediatamente, em qualquer caso até amanhã (terça-feira, 28), e que todas as acusações sejam retiradas”, afirmou o porta-voz do Partido Popular das “Baratas”, Saurav Das, esclarecendo que a “decisão de suspender os protestos” foi tomada coletivamente no último sábado (25), “unicamente com base nas promessas do governo”.

Com um gigantesco apoio popular, após mais de um mês de manifestações, o movimento conseguiu a renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, acusado de envolvimento no vazamento dos exames de admissão para faculdades de medicina e cargos públicos – os mais concorridos do país – mas advertiu que voltaria às ruas caso o governo mantivesse preso um único dos jovens presos na luta por seus direitos em todo o país. As informações recebidas no domingo apontam para lideranças presas nos estados de Assam, Bengala Ocidental e Bihar.

“Qualquer recusa em libertar os detidos ou em retirar as acusações criminais configuraria uma quebra de confiança pública”, reiterou o grupo, alertando para a tomada de “outras medidas necessárias” caso a sua exigência não fosse atendida.

Houve confrontos na capital indiana, Nova Delhi, em 20 de julho, quando multidões tentaram marchar em direção ao parlamento a partir do local de protesto em Jantar Mantar e a polícia abusou da repressão com cassetes e gás lacrimogêneo, desencadeando uma onda de detenções. No estado de Bihar, no leste da Índia, um policial chegou a usar um fuzil de assalto para dispersar estudantes que protestavam no distrito de Siwan, no sábado. “Ele foi suspenso e as três pessoas feridas no incidente estão recebendo tratamento”, informou o superintendente de polícia, Puran Kumar Jha.

PROTESTOS CONTRA A CORRUPÇÃO NA EDUCAÇÃO

Os protestos contra a corrupção na área da Educação ganharam força, alavancados pela provocação do presidente do Supremo Tribunal da Índia, Surya Kant, que comparou jovens desempregados a “baratas e parasitas”. Diante da magnitude do movimento, Surya Kant retrocedeu e solicitou uma investigação independente depois da apresentação de uma petição ao Supremo sobre a brutalidade policial. “O direito ao protesto pacífico e legal é absolutamente garantido pela Constituição. Se houver excessos, eles devem ser examinados de forma independente. A disciplina é parte integrante do processo democrático”, recuou.

A dimensão dos confrontos também repercutiu no legislativo nesta segunda-feira (27), com parlamentares da oposição exigindo uma resposta clara do governo sobre a repressão policial generalizada. “Este é um dos ataques mais graves à democracia em nossa história. Nunca anteriormente estudantes foram espancados, arrastados e tratados como criminosos por levantarem suas vozes”, condenou Mallikarjun Kharge, chefe do partido de oposição Congresso Nacional Indiano.

Além de apresentar um projeto de lei buscando penalidades mais severas para vazamentos de provas, o governo do primeiro-ministro Narendra Modi  se comprometeu a indenizar com 10 milhões de rúpias (mais de 103 mil dólares) a todas as famílias dos que perderam a vida em meio aos tumultos provocados pelos vazamentos dos exames.

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