Governo Trump barra US$ 1 bi do Medicaid para Califórnia e Minnesota

Secretário de Saúde de Trump, Bob Kennedy Jr., corta verba do setor de Estados governados por democratas (Vídeo da ABC News )

O governo Trump anunciou na terça-feira (21) o congelamento de mais de US$ 1 bilhão em verbas para pagamento do Medicaid aos Estados da Califórnia e Minnesota, ambos comandados por governadores democratas, sob alegação de “prevenção de fraudes”.

O bloqueio foi anunciado pelo exótico secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr, por “suspeita de fraude e descumprimento” nos dois Estados governados por democratas. Estão bloqueados US$ 867,5 milhões para a Califórnia e US$ 200 milhões para Minnesota. Segundo ele, haveria pagamentos a pessoas mortas e para prestação de serviços a preços exorbitantes.

Medicaid é um programa do governo americano para assistência médica para pessoas de baixa renda nos EUA, dando cobertura médica gratuita ou de baixo custo, financiado em colaboração entre os governos federal e estaduais.

“O governo Trump está cortando mais dinheiro na área da saúde do que já processou por fraude. A matemática não bate”, afirmou o governador Tim Walz, que, aliás, foi o vice na chapa de Kamala Harris.

“Eles não estão punindo fraudadores, estão punindo crianças, idosos, famílias trabalhadoras e pessoas com deficiência. Trata-se de cortar a saúde para pessoas a quem não se importam em sua campanha de retaliação contra Minnesota”.

O governador reiterou, ainda, que Minnesota tem combatido fraudes no Medicaid, incluindo a suspensão de 745 pagamentos desde janeiro.

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, disse no X que a Califórnia estava sendo alvo por motivos políticos. “Nós odiamos fraudes. Não é isso que é [esse bloqueio nos pagamentos]. E estamos prontos para colaborar com a CMS em esforços de boa-fé para combater fraudes”, escreveu ele.

Robert F. Kennedy Jr não apresentou, no entanto, auditorias ou qualquer outro documento que comprovem fraudes. Somente neste ano, o governo federal americano já reteve duas vezes os pagamentos para o Medicaid, totalizando quase US$ 400 milhões.

A pressão redobrada do governo Trump contra os Estados americanos governados pelos democratas não acontece apenas nas verbas da saúde, com a “suspeita” de fraudes sendo estendida aos programas sociais em geral, que beneficiam os mais pobres.  Além, claro, das ações anti-imigração mais espalhafatosas terem sido perpetradas neles.

No início desse ano, Trump já havia anunciado a criação de uma força-tarefa para investigar abusos nesses programas sociais e apontou especificamente os estados da Califórnia, Colorado, Illinois, Maine, Minnesota e Nova Iorque. Conforme a Casa Branca, o financiamento não foi cortado permanentemente, mas adiado até que os estados forneçam “provas” e “esclarecimentos” sobre as “acusações”.

Curiosamente, o governo “antifraude” de Trump tem se notabilizado por ser um governo “pay to play” – pague para jogar -, além de ter um presidente recordista em lucro durante o mandato (US$ 2,2 bilhões), boa parte disso em jogadas com criptomoedas, e que envia para “negociações” no exterior um sócio (Steve Witkoff) e o genro (Kushner), enquanto o filho Donald Jr virou o mestre de cerimônias da bolsa de apostas Polymarket, turbinada pelas declarações diárias do atual inquilino da Casa Branca.

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