Groenlândia condena ameaça dos EUA de extrair petróleo em seu território

O governo da Groenlândia denuncia a petrolífera norte-americana Greenland Energy, sediada no Texas e ligada a aliados do ocupante da Casa Branca, Donald Trump, com um alerta motivado pelo desembarque e transporte não autorizados de equipamentos e maquinários pesados de perfuração na costa leste do território, especificamente na região de Jameson Land (Nunap Qeqqa).

Como a Groenlândia é um território semi-autônomo do Reino da Dinamarca, a decisão sobre o uso de recursos naturais cabe estritamente aos seus líderes locais livremente eleitos.

O Ministério da Indústria e dos Recursos Mineiras da Groenlândia reforçou que nenhuma permissão ativa foi concedida para operações exploratórias. O governo local alertou que toda a logística futura deve ser previamente notificada e aprovada.

Executivos da petrolífera estimam que a área de Jameson Land abriga reservas de petróleo bruto avaliadas em até US$ 1 trilhão (cerca de 13 bilhões de barris).

A Groenlândia parou de emitir novas licenças petrolíferas em 2021 por razões climáticas e ambientais. Além disso, os poços planejados pelos EUA avançam sobre áreas protegidas pela Convenção de Ramsar para a conservação de zonas úmidas.

E tem ainda o fato de que a posição do território insular entre a Europa e a América do Norte faz dele um local fundamental para a instalação de um sistema de defesa antimíssil balístico pretendido pelos EUA.

A Groenlândia também possui vastos recursos naturais inexplorados, incluindo petróleo, gás e minerais de terras raras essenciais para a tecnologia moderna e as indústrias militares, o que, segundo analistas, alimentou o interesse dos aliados de Trump em exercer controle sobre o território.

TRUMP AMEAÇA OCUPAR GROENLÂNDIA

A pressa da empresa em posicionar os contêineres e a previsão de iniciar o primeiro poço de 3.500 metros em outubro coincidem com novas pressões geopolíticas de Washington. Donald Trump renovou declarações públicas afirmando que a ilha é vital para a segurança nacional norte-americana e para o seu plano de defesa antimísseis (projeto Golden Dome), avaliando até a possibilidade de utilizar o exército. Recentemente, Trump chegou a declarar que o território ártico estaria sob o controle operacional dos EUA antes do fim de seu mandato.

Embora a diretoria da Greenland Energy negue qualquer vínculo oficial entre o projeto comercial e os planos de anexação territorial do governo ianque, a empresa incluiu em seu conselho figuras muito próximas a Trump, como o apresentador de TV Dr. Phil McGraw e veteranos militares norte-americanos. O governo local optou por não exigir a remoção imediata dos contêineres já desembarcados por considerar a medida “ainda prematura” e que radicalizaria a situação, mas congelou os próximos passos logísticos até que os processos regulatórios formais sejam concluídos.

A GROENLÂNDIA “NÃO ESTÁ À VENDA”

A Dinamarca alertou que qualquer tentativa dos Estados Unidos de tomar o território pela força significaria, na prática, o fim da aliança militar transatlântica e da “segurança pós-Segunda Guerra Mundial”.  

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que a Groenlândia “não está à venda”, em resposta a comentários recentes do presidente dos EUA sobre o território insular dinamarquês.

“Acho que a posição dos Estados Unidos, infelizmente, é muito clara sobre essa questão, e a nossa posição também é tão clara quanto tem sido desde o início: a Groenlândia obviamente não está à venda”, afirmou a repórteres, em resposta a declarações de Trump que insistiu em que o território autônomo dinamarquês deveria ser “controlado pelos Estados Unidos”, embora sem ameaçar tomá-lo à força, como já havia feito anteriormente. Ele também reiterou sua acusação de que a Dinamarca não está fazendo o suficiente para proteger esse território ártico.

“Esperamos que todos, incluindo todos os nossos aliados, respeitem o direito dos groenlandeses à autodeterminação. Somos um Estado soberano e precisamos que todos respeitem nossa integridade territorial e nossa soberania”, frisou Frederiksen.

No contexto dessa tensão, a Dinamarca lançou uma ampla reforma do seu serviço militar obrigatório. Na semana passada, cerca de 1.600 recrutas iniciaram o seu treino – a primeira turma completa sob o novo sistema, que estende o serviço militar de quatro para onze meses e, pela primeira vez, integra homens e mulheres em igualdade de condições.

De acordo com o Ministério da Defesa dinamarquês, todos os membros desta turma se voluntariaram e foram designados para unidades do Exército, da Marinha e da Força Aérea.

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