Inteligência Artificial chinesa avança e põe monopólios americanos em polvorosa

Modelo chinês de IA caiu no gosto dos americanos (Foto: divulgação)

A acessibilidade do sistema de código aberto chinês Kimi K3 registrou um aumento de 387% em downloads norte-americanos. A Casa Branca e o duopólio OpenAI e Anthropic estão apavorados

Acontecimentos recentes na órbita da disputa do domínio da Inteligência Artificial têm apontado no sentido de um crescimento acelerado da influência das empresas chinesas de IA em todo o mundo, inclusive nos Estados Unidos, país que outrora possuía a primazia da alta tecnologia do setor.

DEEPSEEK COMEÇOU

Tudo começou a mudar quando, no início do ano passado, a startup chinesa DeepSeek abalou a indústria de tecnologia norte-americana com um sistema que teve um desempenho semelhante ao dos EUA, mas muito mais barato. As “gigantes” do Vale do Silício, que investiram bilhões em seus sistemas, sentiram o golpe.

Segundo empresas especializadas na análise de marcado em Inteligência Artificial, modelos chineses de IA alcançaram quase a paridade com os modelos de fronteira dos EUA em domínios críticos, como codificação e pesquisa. Eles oferecem, através de seus modelos de código aberto, uma fração dos custos cobrados por milhão de tokens, que são unidades digitais de valor, de acesso ou de segurança.

A acessibilidade de código aberto e seus preços competitivos estão impulsionando sua adoção nos EUA, como evidenciado pelo Kimi K3, que registrou um aumento de 387% em downloads norte-americanos.

RESTRIÇÕES AMERICANAS

Observa-se que as restrições à exportação de certos modelos norte-americanos de IA abriram caminho para os concorrentes chineses, e qualquer restrição à IA dos EUA cria imediatamente uma oportunidade para que as alternativas chinesas preencham a lacuna.

DeepSeek abalou os monopólios no ano passado (Foto: divulgação)

O jornal chinês South China Morning Post escreveu que a China está montando superclusters de computação que integram mais de dez mil chips aceleradores de IA, capazes de dinamizar ainda mais o desenvolvimento tecnológico e reduzir significativamente o tempo de treinamento de modelos. A popularidade da IA chinesa entre os cidadãos estadunidenses frustrou alguns gigantes da tecnologia dos EUA que trabalhavam para garantir o monopólio tecnológico do setor.

CÓDIGO ABERTO SE ESPALHA

O Vale do Silício debateu por anos se a IA deveria seguir uma abordagem de código aberto ou de código fechado. À medida que os grandes modelos de código aberto (open-source) da China aceleram sua recuperação, esse debate se intensificou em todos os aspectos esta semana e dividiu as opiniões dentro dos EUA .

O avanço da IA chinesa criou uma divisão das empresas americanas quando o assunto é como enfrentar o problema. Segundo o The New York Times deste sábado (25), há dois grupos em conflito aberto. Um formado pelas empresas OpenAI e Anthropic, que trabalham junto à Casa Branca para proibir empresas chinesas de IA. E o outro grupo é formado pelas gigantes da tecnologia como Microsoft e Nvidia. Eles defendem a continuidade dos modelos de IA abertos, permitindo que desenvolvedores melhorem a tecnologia e criem produtos baseados em resultados existentes.

O duopólio (OpenAI e Anthropic) argumenta que alguns modelos avançados são arriscados demais e inadequados para lançamento público e deveriam ser rigorosamente controlados. Os dois lados começaram recentemente a se enfrentar abertamente.

No dia 20 de julho, em Xangai, na Conferência Mundial de Inteligência Artificial de 2026, o modelo grande de IA Kimi K3 desenvolvido pela Moon Dark Side Company fez sua estreia na Visual China. No dia 24, horário local, o dono da Nvidia, Jensen Huang, postou pela primeira vez na plataforma social X, afirmando que o mundo precisa tanto de modelos fechados de ponta quanto de modelos de código aberto de ponta.

DIVISÃO NOS EUA

Nove minutos depois, o executivo da Microsoft, Satya Nadella, também afirmou que software de código aberto é crucial para um ecossistema de IA saudável. Os dois também se manifestaram conjuntamente por uma carta aberta da indústria apoiando modelos abertos. A carta aberta recebeu apoio de empresas e instituições como Nvidia, Microsoft, Meta, Palantier, IBM e Hugging Face.

OpenAI resiste ao avanço chinês (divulgação)

Enquanto isso, OpenAI e Anthropic seguem pressionando o governo dos EUA a endurecer as restrições aos modelos de código aberto chineses. As duas empresas já expressaram preocupações aos reguladores em Washington sobre os modelos de IA de código aberto da China. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o assessor de tecnologia do governo Trump, Michael Clazios, também participaram da discussão. Esse debate acalorado está diretamente relacionado ao recente rápido progresso dos grandes modelos de código aberto da China.

ACIRRAMENTO DA DISCUSSÃO

Nas últimas semanas, as empresas chinesas de IA Zhipu e Moon Dark Side lançaram sucessivamente novos modelos, alguns dos quais já podem competir com produtos de empresas americanas como a Anthropic. A OpenAI e Anthropic alegam que empresas chinesas obtêm seus resultados de modelos por meio de “destilação” e outros métodos, e depois usam esses dados para treinar seus próprios modelos, argumentando que essa prática “infringe” os direitos de propriedade intelectual das empresas americanas.

Destilação é uma técnica de aprendizado de máquina onde um modelo menor e mais rápido, o “aluno”, é treinado para imitar as respostas e o comportamento de um modelo maior e mais complexo, o “professor”.

No entanto, empresas como Microsoft e NVIDIA não apoiam uma restrição abrangente a modelos de código aberto. A Microsoft espera impulsionar a computação em nuvem com modelos de código aberto, enquanto a Nvidia espera aproveitar seu ecossistema de código aberto para expandir o mercado de chips de IA. Eles acreditam que o código aberto não só facilita a troca técnica, mas também permite que mais pesquisadores participem das verificações de segurança dos modelos.

DUOPÓLIO EM CHEQUE

Muitas startups do Vale do Silício também temem que restringir o open source só consolide ainda mais as vantagens da OpenAI e da Anthropic e eleve as barreiras para que outras empresas entrem no mercado de IA. Esse debate rapidamente se transformou na competição entre IA da China e dos EUA.

A disputa está se acirrando e tende a esquentar ainda mais nos próximos dias. O New York Times informou que, embora a China tenha começado tarde em inteligência artificial de ponta, está rapidamente alcançando o atraso pelo caminho do código aberto. O peso dos modelos abertos das empresas chinesas não só ajuda a acelerar a interação dos produtos, mas também atrai clientes globais com preços mais baixos.

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