Mendonça sabia de tudo desde 5 de julho, mas resolveu abrir inquéritos contra o filho de Lula e atacar outros ministros. Só agora, obrigado por Fachin, ele informou ao país que o candidato que ele protegia é investigado há meses por esses crimes
Desde maio deste ano, a Polícia Federal teve acesso ao áudio de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro. Ali o país inteiro se apercebeu, através da informação do site Intercept Brasil, que o escândalo do Banco Master envolvia um personagem que já estava em pré-campanha para a Presidência da República.
No áudio aparecia Flávio, que havia dito que nunca tinha conversado com o dono do Banco Master – nessa época ele tentava jogar o escândalo no colo de Lula – numa conversa íntima com Daniel Vorcaro. Ele pedia R$ 134 milhões ao banqueiro ladrão para financiar um filme laudatório sobre seu pai. O plano era soltar o filme na reta final da campanha.
Em 5 de julho a Polícia Federal solicita a abertura de investigações sobre a transferência, que naquela altura era de R$ 61 milhões, de Daniel Vorcaro para Flávio Bolsonaro. O operador de Vorcaro, Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, dono da empresa Entre, em colaboração premiada, detalha as transferências feitas em sete parcelas, num total de R$ 65 milhões, para os bolsonaros.
O dinheiro foi enviado para os Estados Unidos e foi recebido por um fundo chamado Havengate, que estava desativado há quatro anos, e que é administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. Não há nenhuma explicação sobre a origem desse dinheiro. O Banco Master tinha acabado de dar um golpe e roubado dinheiro de servidores, aposentados e do banco público de Brasília.
Cobrado na época, Flávio primeiro negou. Depois, foi obrigado a admitir a conversa. Não explicou nada. Mentiu dizendo que não havia dinheiro público. Não apresentou nenhum contrato de patrocínio, nenhuma documentação sobre a transferência do dinheiro para os EUA e não havia nenhum registro de retorno deste dinheiro para o Brasil. Tinha que haver, afinal, o filme tinha sido rodado no país.
Em 22 de julho, o ministro-relator do escândalo do Banco Master, André Mendonça, atende ao pedido da PF e autoriza a abertura do inquérito. Só que este inquérito, ao contrário dos outros, permanece trancado a sete chaves. Ele manteve a investigação completamente desconhecida da sociedade brasileira. Escondeu como pode a investigação de Flávio e disparou ataques e abriu inquéritos barulhentos contra o filho do presidente Lula.
Só que agora, em 10 de setembro, pressionado pelo ministro Edson Fachin, que cobra a abertura do sigilo das investigações, Mendonça informa ao país que o candidato Flávio Bolsonaro é investigado por corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Ele estava literalmente sentado em cima da investigação.
Ou seja, um candidato a presidente estava sendo investigado por corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e o país não sabia de nada. Estava tudo abafado, acobertado. As diligências não andavam. O Brasil foi enganado por André Mendonça por mais de dois meses só para que seu candidato não fosse atingido pelo escândalo. André Mendonça foi obrigado a revelar o pedido da Polícia Federal para investigar Flávio Bolsonaro por pressão dos demais ministros do STF.
Esta é mais uma prova cabal de que André Mendonça estava mesmo acobertando os crimes de Flávio e impedindo que as investigações avançassem para interferir nas eleições. Durante todo esse tempo, ele não divulgou nada e não permitiu que a investigação andasse e, ao mesmo tempo, abriu três inquéritos – públicos – contra o filho do presidente Lula sem que nada de concreto houvesse de ilícito contra ele. De fato, ele sentou em cima da investigação de Flávio e passou a atacar os adversários políticos do bolsonarismo.
Agora fica claro o motivo de André Mendonça atacar a Polícia Federal. Ele tentou paralisar as atividades da PF afastando seu diretor-geral, Andrei Rodrigues e o delegado diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada da Costa. Ele estava tentando impedir que a Polícia Federal investigasse o seu protegido, envolvido até o pescoço na corrupção do Banco Master. Agora, o Brasil inteiro já sabe de toda a trama.
SÉRGIO CRUZ










