“Se Omã entrar no nosso caminho, vamos bombardeá-los até não sobrar nada”, disse o presidente norte-americano Donald Trump nesta segunda-feira (17) à Fox News, após anúncio, pelo Irã, no sábado, de um acordo com o governo de Mascate sobre o Estreito de Ormuz, que os dois países compartilham.
“Apesar da obstrução dos EUA, as negociações entre o Irã e Omã progrediram positivamente e um acordo foi alcançado sobre um plano de tráfego marítimo”, afirmou o porta-voz Esmaeil Baghaei.
Segundo a mídia, as duas partes teriam concordado que os navios entrariam pelo lado iraniano do Estreito e sairiam pelo lado de Omã. Também haveria uma taxa voluntária, por questões de risco e ambientais, a exemplo do que acontece em Singapura, no Estreito de Malaca.
Em maio, Trump já havia ameaçado “explodir” Omã caso não se “comportasse”.
O Estreito de Ormuz, pelo qual transitam 20% de todo o petróleo e gás transacionado no mundo, além de 30% dos fertilizantes e ainda hélio, insumo essencial para a produção de chips de IA, tem estado fechado – pela primeira vez em décadas – desde que Trump e Netanyahu desencadearam traiçoeiramente uma guerra contra o Irã em 28 de fevereiro.
Ao invés de obter a capitulação do Irã, após assassinar seu líder Ali Khamenei e as 168 crianças de Minab, como tramado, Trump se deparou com impressionante resistência, com Teerã retaliando pesadamente contra as bases norte-americanas no Golfo Pérsico e contra Israel, até os EUA se virem forçados a assinar um cessar-fogo nos termos iranianos, mediado pelo Paquistão, mas que em seguida Washington violou.
Desde então, a guerra de escolha de Trump se tornou um indisfarçável atoleiro, como mostrado nas notícias sobre o esgotamento do arsenal de mísseis norte-americanos, o escândalo da comida racionada e tentativas de suicídio a bordo do porta-aviões Abraham Lincoln e, cereja do bolo, a fuga do presidente norte-americano do Air Force One, escondido em um contêiner de suprimento de comida para o avião, com pavor de suposta vingança iraniana com míssil.
Depois da repercussão de sua fuga do Air Force One no carrinho de comida, Trump tem buscado tirar esse vexame do foco da atenção mundial, daí as novas declarações delirantes, que só reforçam sua já suficientemente grande fama de TACO (Trump Always Chikens Out – Trump sempre amarela).
Assim, disse ainda à Fox News, que os iranianos “são bons jogadores de pôquer, mas estão morrendo”, e chamou Teerã a “hastear a bandeira da rendição”.
As alegações de Trump de que os EUA estariam negociando “diretamente” com a Guarda Revolucionária Islâmica foram desmentidas prontamente.
“Essa declaração falsa de Trump não passa de uma fantasia nascida de sua imaginação e dos pesadelos resultantes de seu desespero e derrota na guerra”, disse à agência de notícias Tasnim o porta-voz da IRGC, Hossein Mohebi.
O Irã advertiu ainda que passará da “defensiva para a ofensiva” se Washington mantiver seu bloqueio para impedir que navios saiam ou cheguem ao Irã, de acordo com a Reuters.
Teerã “intensificará as tensões no Estreito de Ormuz e em toda a região se a diplomacia com os Estados Unidos falhar”, e dará um prazo para que as tropas americanas interrompam o bloqueio militar imposto aos portos iranianos, acrescentou a autoridade iraniana.
“Pressionar-nos ou depender de mediadores para alcançar uma paz duradoura não é realista. O Irã estabeleceu um prazo de algumas semanas para a implementação completa do memorando de entendimento pelos EUA. O cronograma estabelecido pelo Irã será comunicado ao governo americano e aos países da região por meio de mediadores”, declarou.
Em comício na semana passada, Trump havia dito que iria declarar o Estreito de Ormuz “propriedade dos Estados Unidos”, à revelia da lei internacional e da Carta da ONU. Nos EUA, a oposição à guerra contra o Irã é majoritária e a alta dos preços da energia, desencadeada pela guerra, indigna os eleitores, que irão às urnas em novembro definir o controle do Congresso.
Trump foi respondido na lata pelo vice-chanceler Kazem Gharibabadi: “Não é possível se apoderar do Estreito de Ormuz nem com tuíte, nem com porta-aviões, nem com decreto, nem com discurso de campanha eleitoral”.
Ele instou Washington a “aceitar de uma vez por todas a realidade” – que as forças americanas “sofreram derrotas estratégicas e golpes severos” no contexto da agressão desencadeada conjuntamente com Israel contra o Irã.
“O Estreito de Ormuz foi, é e será iraniano. Esse estreito só será aberto e fechado sob o comando do Irã e, enquanto não aceitarem a realidade da derrota e continuarem alimentando ilusões, o Irã continuará aplicando o bloqueio”, concluiu.










