Em uma mensagem escrita à mão no verso de dois pratos de papel, o ativista norte-americano preso, Mumia Abu-Jamal, expressou seu apoio à resistência do Irã contra a agressão dos Estados Unidos e de Israel, e desmentiu qualquer apoio a uma carta aberta publicada sobre isso no jornal inglês The Guardian, intitulada “Aos prisioneiros políticos do Irã, apanhados ‘entre as duas lâminas de uma tesoura'”.
“Meus jovens amigos, O Irã está mostrando ao mundo (especialmente ao Terceiro Mundo) como lutar contra o Império. Seus drones estão reescrevendo as regras da guerra. E países de todo o Sul Global estão estudando essa fase do conflito com esse objetivo! Eles me lembram o Vietnã — um país pobre que derrotou o exército mais poderoso da Terra. É nesse ponto em que estamos hoje. Com amor… Mumia”, diz o texto contido nos pratos.
Sua assinatura já havia aparecido nessa carta crítica ao governo iraniano, que circulou na mídia ocidental.
Fontes próximas a ele e publicações independentes já haviam esclarecido que Abu-Jamal jamais consentiu em constar como signatário daquela carta e reafirmou sua postura anti-imperialista por meio de escritos manuscritos feitos na prisão.
“O GUARDIAN DEVERIA REALIZAR UMA INVESTIGAÇÃO”
“Diante do escândalo da Carta Aberta, o The Guardian deveria realizar uma investigação, considerando os seguintes fatos que vieram à tona: 1. Mumia Abu-Jamal não autorizou o uso de sua assinatura nesta carta. 2. Vários signatários iniciais, como Robin D.G. Kelley, retiraram agora suas assinaturas, afirmando que a carta publicada não era a mesma que lhes havia sido apresentada”, afirma o jornalista, comentarista político e editor indiano, Visay Prashad.
Ex-integrante do Partido dos Panteras Negras, jornalista e radialista que se tornou uma das principais vozes na denúncia do racismo e da violência do sistema penal estadunidense, Mumia foi condenado a morte em 1982, acusado de ter provocado a morte de um policial branco no mais polêmico e injusto processo judicial dos EUA, país que detém o maior número de presos do mundo, mais de 2 milhões de pessoas encarceradas, 25% dos presidiários do planeta.
Teve a pena de morte anulada e, após inúmeros protestos nos EUA e solidariedade internacional deixou o corredor da morte em 2012, mas segue privado de liberdade.











