Israel não entrega corpo de jovem brasileiro assassinado após mais de um ano

O adolescente brasileiro-palestino Walid Khalid Abdalla Ahmad, de 17 anos, foi morto nas masmorras de torturas da ditadura israelense (Foto: Reprodução - Redes sociais)

Brasileiro-palestino Walid Khaled Abdallah foi morto por fome em masmorra israelense. Família ainda aguarda o corpo do adolescente de 17 anos na época

Israel ainda não entregou o corpo do brasileiro-palestino Walid Khaled Abdallah, que o matou de fome em março de 2025, e não apresenta nenhuma justificativa para o Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

A família de Walid Khaled ainda está esperando receber o corpo do jovem, que foi morto aos 17 anos.

O Itamaraty disse que ainda acompanha o caso e fez diversos pedidos a Israel para que os restos mortais de Walid sejam entregues para a família.

Israel, no entanto, não respondeu aos pedidos e não deu nenhum motivo para que o corpo não fosse entregue.

Walid nasceu na Palestina, mas, por ser filho de um brasileiro, também tem cidadania do Brasil.

A autópsia feita pela ONG Defesa das Crianças Palestinas (DCIP, em inglês) revelou que Walid Khaled Abdallah morreu por fome, desidratação e falta de cuidados médicos.

Ele foi preso por Israel em setembro de 2024 na Cisjordânia ocupada por conta de uma confusão com um soldado de Israel.

Walid morreu seis meses depois, em março de 2025, dentro da prisão de Megiddo, em Israel. O jovem de 17 anos nunca foi denunciado ou julgado.

Os exames feitos depois da morte indicam que “Walid sofria de extrema perda de massa muscular e gordura corporal, evidenciada por um abdômen afundado, de acordo com um médico que compareceu à autópsia em nome da família”. Havia ainda um corte no pescoço.

O diretor da DCIP, Ayed Abu Eqtaish, informou que, de acordo com os exames, “os guardas da prisão israelenses o deixaram passar fome e abusaram dele sistematicamente por meses até que ele finalmente desmaiou, bateu a cabeça e morreu”.

Ayed Eqtaish reforçou que a morte do brasileiro-palestino “não foi um acidente”. “A fome é uma ferramenta de genocídio, buscando enfraquecer e, finalmente, destruir tanto o corpo quanto o espírito de crianças palestinas detidas em prisões israelenses”, disse.

O pai de Walid, Khalid Ahmad, contou quando da morte do jovem que seu corpo “estava enfraquecido devido à desnutrição” e que ele tinha contraído sarna. O governo de Israel já tinha negado à família três pedidos de visitas.

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