Israelenses armados forçaram família palestina a desenterrar o corpo do próprio pai

Mohammed Asasa foi forçado a exumar seu pai (foto menor) pouco depois do enterro (BBC)

Colonos israelenses, alguns armados com rifles automáticos e sob a proteção de militares das forças de Netanyahu, forçaram uma família de palestinos a exumarem o corpo de seu pai, recém falecido, de um cemitério na Cisjordânia ocupada

Os israelenses disseram para os palestinos que a sepultura do falecido, estava muito perto do novo assentamento ilegal de Sa-Nur, em Jenin. Os colonos foram flagrados cercando o túmulo, usando ferramentas pesadas para cavar o corpo de Hussein Asasa, de 80 anos que morreu recentemente de causas naturais.

Mohammed Asasa, um dos filhos do falecido, mal havia chegado em casa do enterro de seu pai, quando se viu forçado a passar por essa humilhação imposta pelos invasores israelenses. Na tentativa de evitar atritos com os militares israelenses, ele obteve uma permissão prévia da base militar israelense mais próxima para realizar o funeral de acordo com as tradições islâmicas.

Mesmo assim, pouco depois de retornarem para casa, Mohammed e seus irmãos, descobriram, avisados pelos vizinhos, que os israelenses estavam exumando o corpo de seu pai. Imagens do vídeo do que aconteceu, mostram Mohammed e sua família, carregando o cadáver do pai, enrolado em um manto branco, se retirando do cemitério com os israelenses armados.

“Os colonos nos disseram: ‘Ou você tira o corpo morto agora mesmo ou vamos usar uma escavadeira para removê-lo do túmulo e despejá-lo para você’”, disse Mohammed para a rede de notícias americana, NPR.

O assentamento de Sa-Nur, fica a 300 metros do cemitério do vilarejo palestino que Mohammed vive. É um dos assentamentos ilegais que o governo de Netanyahu deu a permissão, no anos passado, para a criação na Cisjordânia ocupada depois de ter sido evacuado em 2005.

Mohammed disse que os militares israelenses estavam no local, mas se recusaram a impedir os colonos de cavarem a cova de seu pai e nem os forçaram a se retirarem do cemitério. Depois os militares disseram que estavam lá para confiscarem as ferramentas de escavação dos colonos e que ficaram lá pra “prevenir mais atritos”.

Mas quando questionados pela NPR do motivo dos soldados não intervieram e mandaram os colonos embora, já que a família de Asasa tinha a permissão necessária para o enterro no local, eles não responderam.

Sem ter como se defender dos invasores israelenses ou ter a quem recorrer, a família de Mohammed teve que enterrar, pela segunda vez, o corpo de Hussein Asasa em uma cidade vizinha.

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