“Isso se deve muito por conta do contexto de juros elevados, em um ambiente em que o patamar de endividamento da população se encontra muito alto, tanto das famílias quanto das empresas”, analisa a economista da CNI, Larissa Nocko
O faturamento da indústria de transformação recuou 1% no primeiro semestre de 2026, em relação ao mesmo intervalo de meses de 2025, segundo números divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em junho deste ano, o faturamento real do principal ramo da indústria brasileira cresceu 0,8%.
A economista da CNI, Larissa Nocko, atrela o baixo desempenho da indústria de transformação às altas taxas de juros, que desestimulam os investimentos e o consumo de bens no país.
“Nesse primeiro semestre de 2026, a gente pode dizer que a indústria seguiu andando de lado. Sem grandes avanços, e isso se deve muito por conta do contexto de juros elevados, em um ambiente em que o patamar de endividamento da população se encontra muito alto, tanto das famílias quanto das empresas”.
Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) voltou a reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto porcentual, que caiu de 14,25% para 14% ao ano. A CNI vem defendendo cortes mais acentuados no nível da Selic.
“Isso [juro em patamar alto] acaba contribuindo muito para uma desaceleração da demanda e para um comportamento mais comedido relacionado aos investimentos e à expansão de plantas produtivas”, ressalta a especialista em Políticas e Indústria da CNI, que também aponta que “além desse fator relacionado ao patamar elevado de juros, o empresário industrial se encontra em um contexto de forte entrada de produtos importados, particularmente de forte entrada de bens de consumo importados”, continua a economista.
Segundo os indicadores da CNI, divulgados na quarta-feira (12), a desaceleração da atividade industrial vista no primeiro semestre de 2026 foi acompanhada pela queda do número de horas trabalhadas na produção (-1,1%).
“Com a perda de ritmo do setor industrial, as fábricas mobilizaram menos trabalhadores e maquinário para atender à demanda”, afirma a entidade em nota. “A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) caiu 0,6 ponto percentual, passando de 77,4% para 76,8% em junho. Ao fim do primeiro semestre, a UCI média ficou 1 ponto percentual abaixo da observada no mesmo período do ano passado”, informa a entidade.
A CNI também destaca que o resultado do emprego industrial em julho (cresceu 0,2%) foi “insuficiente para evitar a queda de 0,6% dos postos de trabalho do setor no acumulado dos seis primeiros meses de 2026 frente ao mesmo período do ano passado”.
Outros indicadores da CNI, relacionados ao mercado de trabalho industrial, apresentaram resultados positivos em junho: a massa salarial aumentou 0,9% em comparação a maio, fechando o primeiro semestre 0,8% acima do primeiro semestre de 2025; e o rendimento médio pago aos trabalhadores subiu 0,6% em junho, o que contribuiu para o avanço de 1,4% nos seis primeiros meses deste ano.










