Setor acumula alta de 1,5% no primeiro semestre e de 0,7% nos últimos 12 meses. Indústria defende queda maior na taxa Selic
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deu início nesta terça-feira (4) à sua reunião (de dois dias) que definirá os rumos do juros no país, já sabendo que a produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho deste ano, após a perda registrada em maio (-0,9%), segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As duas quedas mensais correspondem a uma perda acumulada de 2,7% da indústria.
Com a taxa básica de juros (Selic) hoje fixada em 14,25% e o Brasil sendo o campeão mundial de juro real (descontada a inflação), a produção industrial brasileira está 15,2% distante do pico mais alto da série histórica, registrado em maio de 2011.
O resultado negativo da indústria nacional foi puxado pela indústria de transformação, que viu sua produção recuar também -1,8% na comparação com maio. A indústria extrativa recuou -0,6%.
Em junho, todas as grandes categorias econômicas assinalaram taxas negativas em comparação com maio: as produções de bens de capital e de intermediários registraram, ambas, uma queda de 1,1%, enquanto as de bens de consumo semi e não duráveis e de bens de consumo duráveis caíram 4,1% e 3,2%, respectivamente.
Além disso, 16 das 25 atividades industriais pesquisadas apontaram taxas negativas, com destaque para os declínios de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-5,9%), produtos químicos (-4,3%), produtos alimentícios (-1,9%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-11,0%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-11,0%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-8,9%), outros equipamentos de transporte (-8,6%), produtos de borracha e de material plástico (-2,8%) e indústrias extrativas (-0,6%).
Com esses resultados, a produção industrial nacional encerrou o primeiro semestre deste ano com alta de 1,5% e, nos últimos 12 meses, acumula um crescimento de apenas 0,7%. Na comparação com junho de 2025, o setor registra alta de 1,7%.
A perda de desempenho da indústria não é à toa. Com a taxa Selic remunerando o capital a um nível tão alto e sem risco, o empresário acaba por deixar de investir o seu dinheiro na produção física, por considerar desvantajoso. Isso significa, na prática, que os bancos estão ficando com o dinheiro que deveria estar financiando a produção, a modernização do parque fabril nacional e a geração de novos postos de trabalho.
Enfim, quem sai perdendo é a economia real, que perde desempenho enquanto os bancos mantêm os gordos lucros com as aplicações financeiras, como vem denunciando a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
“Enquanto os juros reais continuarem tão elevados, beneficiando diretamente o capital especulativo, o custo do crédito vai seguir inviabilizando os planos de produção e expansão da indústria”, avalia a entidade, ao exigir cortes mais acentuados nos juros.










