Lula anuncia investimentos e critica privatizações de refinarias e da BR Distribuidora

Lula anuncia investimentos em Betim-MG Foto: Ricardo Stuckert)

Em Betim-MG, o presidente libera R$ 9 bilhões para ampliação da Refinaria Gabriel Passos e diz que o país vai criar reserva estratégica de combustíveis. Ele criticou o desmonte da Petrobrás, feito pelo governo passado

O presidente Lula anunciou, na sexta-feira (20), em Betim-MG, investimentos de R$ 9 bilhões na Refinaria Gabriel Passos (Regap), localizada na cidade mineira. Ele lembrou que a refinaria esteve em processo de desmonte no governo Bolsonaro e estava produzindo apenas 60% de sua capacidade. Hoje, a Regap opera com 98% da capacidade, com o processamento e refino de 170 mil barris de petróleo por dia.

MAIS INVESTIMENTOS

Com investimento de R$ 3,8 bilhões, a previsão é produzir 200 mil barris por dia até o fim de 2027. E para os próximos cinco anos, a produção deve chegar a 240 mil barris por dia, com R$ 5,2 bilhões investidos.

O presidente destacou que o país pode se proteger de situações como a que está acontecendo com a agressão dos EUA e Israel contra o Irã. Ele falou da necessidade de o país criar uma reserva estratégica de combustíveis, para regular preços e garantir abastecimento em caso de instabilidade internacional.

“Soberano é quando você é dono do seu nariz”, declarou, ao mencionar o tema e sugerir que a presidenta da Petrobras, Magda Chambriard, trabalhe numa estratégia para enfrentar momentos de forte volatilidade internacional.

A defesa de estoques reguladores reforça uma linha de raciocínio mais ampla do governo: a de que o setor de energia não pode ser tratado apenas sob a lógica financeira de curto prazo, mas como um dos pilares da soberania nacional, da estabilidade econômica e da proteção social.

“Eu falei para a Magda [Chambriard, presidente da Petrobrás]: isso não é uma coisa rápida, é uma coisa que leva tempo, mas é uma coisa estratégica que a Petrobrás e o governo têm que pensar”, disse, no evento de anúncio dos investimentos da empresa em Minas Gerais.

RESERVAS NACIONAIS

Para Lula, mesmo custando “muito caro”, as reservas garantiriam a soberania do país e a proteção contra a especulação no mercado em momentos de crise.

“Nós precisamos, ao longo do tempo, construir um estoque regulador, para a gente não ser vítima do que está acontecendo hoje. E se essa guerra durar 30 dias, durar 40 dias? E se o Irã não deixar sair nenhum barril de petróleo do Estreito de Ormuz? E se os Estados Unidos resolverem estourar o Estreito de Ormuz, a crise vai ser pior”, acrescentou.

Lula voltou a criticar a escalada do conflito no Oriente Médio, provocado pela agressão ao Irã, especialmente na região do Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do petróleo mundial.

O presidente ainda afirmou que vai fazer os investimentos necessários na melhoria ou até construção de novas refinarias, e “trabalhar estrategicamente” em um plano de produção e estoque de combustíveis.

“Certamente, os Estados Unidos têm estoque para uns 30 dias. Como eles vivem em guerra, eles têm que ter estoque. Certamente, a China tem estoque. Certamente, a Rússia tem estoque”, argumentou Lula.

Ainda em Betim, Lula afirmou que a privatização da BR Distribuidora retirou do Brasil um instrumento decisivo para conter a alta dos preços dos combustíveis ao consumidor.

PRIVATIZAÇÕES

Lula sustentou que o País perdeu capacidade de fazer com que a política de preços da Petrobrás chegasse de fato aos postos. “Se a BR Distribuidora estivesse na nossa mão, haveria a garantia de que o preço da Petrobrás chegaria na bomba, para o consumidor. O preço do etanol, da gasolina ou do diesel. Agora, ganha o distribuidor [privado] e o consumidor fica chupando o dedo”, disse o presidente.

Para o presidente, o argumento de que empresas públicas não seriam rentáveis não se sustenta diante da realidade do setor. “Se não fosse rentável, empresário algum ia comprar”, afirmou Lula, ao defender a presença do Estado em segmentos estratégicos da economia. Ele também ressaltou que a Petrobras liderou, no ano passado, a lista das empresas mais rentáveis do Brasil, entre públicas e privadas.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, seguiu na mesma direção do presidente Lula e afirmou que a estatal está adotando medidas para proteger o mercado brasileiro das oscilações internacionais nos preços do petróleo. Ela destacou que a estratégia da Petrobrás busca reduzir os impactos externos sobre os consumidores brasileiros. Chambriard destacou que a política de preços da estatal segue o chamado “abrasileiramento” defendido por Lula, com foco na estabilidade do mercado interno.

PETROBRÁS E A SOBERANIA

Durante sua fala, ela mencionou o cenário geopolítico global e ressaltou a importância da estrutura de refino nacional. “Com essa questão da guerra Estados Unidos-Israel-Irã, estamos todo dia lembrando quanto vale o parque de refino da PetrobrÁs na mão de uma empresa estatal”, afirmou.

Magda também destacou o apoio do governo federal e de integrantes da equipe ministerial à atuação da estatal. “Presidente Lula é um incentivador, em todos os tempos, da nossa empresa, do sucesso da nossa empresa, torce pela grandiosidade da nossa empresa e, principalmente, pelo retorno dessa empresa para o povo brasileiro”, disse. Chambriard acrescentou ainda que “o ministro Alexandre Silveira é um apoiador de tudo isso que estamos fazendo por aqui”.

Com as privatizações e o desinvestimento do governo Bolsonaro, o país ainda depende de importações para cerca de 25% do diesel consumido, o que aumenta a vulnerabilidade em momentos de crise global.

CRIME DE LESA-PÁTRIA

O ministro Alexandre Silveira taambém denunciou as privatizações. Segundo ele, a venda da BR Ditribuidora retirou do poder público uma ferramenta relevante de abastecimento e moderação de preços. “Se não fosse o crime de lesa-pátria da venda da BR Distribuidora, hoje teríamos condições de dar suprimento e adotar uma política de preços mais confortáveis”, disse Silveira.

De acordo com o ministro, a ausência de uma distribuidora sob controle estatal obriga o Governo do Brasil a recorrer com mais intensidade a outros mecanismos, como fiscalização mais rígida sobre a rede privada de distribuição, aplicação de multas e desoneração tributária, a exemplo da retirada de impostos federais sobre o diesel.

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