Lula critica “babaquice” do superávit e defende investimento para desenvolver o Brasil

Comício do presidente Lula lotou a Boca Maldita, em Curitiba - Foto: Ricardo Stuckert

“A grande dívida do Brasil é a taxa de juro que nós pagamos. Isso é que é grande. O restante é investimento”, declarou Lula em ato na Boca Maldita, em Curitiba

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, colocou o desenvolvimento econômico no centro de seu discurso durante comício realizado neste sábado (12), na Boca Maldita, em Curitiba (PR). Lula criticou a prioridade dada ao resultado fiscal e defendeu que o governo utilize recursos para ampliar os investimentos e estimular o crescimento da economia.

“Para gerar emprego, a economia tem que crescer. E para a economia crescer, o governo tem que investir. E para o governo investir, é preciso parar com essa babaquice de fazer superávit, fazer superávit, de ter controle fiscal”, afirmou. Na sequência, o presidente sustentou que o principal peso sobre as contas públicas está nos juros pagos pelo país. “A grande dívida do Brasil é a taxa de juro que nós pagamos. Isso é que é grande. O restante é investimento”, declarou.

Segundo o presidente, o objetivo do governo para o próximo período deve ser fazer a economia crescer, gerar empregos e criar condições para que o país avance em áreas estratégicas.

Lula também associou a política de desenvolvimento à exploração das riquezas naturais brasileiras. Ao mencionar a Margem Equatorial, área de potencial petrolífero na costa brasileira, disse que os recursos obtidos com a exploração do petróleo poderão financiar investimentos de longo prazo em setores como educação, ciência, tecnologia e saúde. “Antes de acabar o combustível fóssil, vamos extraí-lo para vender e criar outra vez um fundo para investir na educação, ciência e tecnologia e na saúde”, afirmou.

Lula participou do ato ao lado de aliados da campanha no Paraná. Estiveram no palanque o candidato ao governo estadual Requião Filho (PDT), a candidata ao Senado Gleisi Hoffmann (PT), o candidato ao Senado Dr. Rosinha (PT) e o ex-governador Roberto Requião, além da primeira-dama Janja.

Lula junto a Requião Filho, candidato ao governo do Paraná, e aos candidatos ao senado Gleisi Hoffman e Dr. Rosinha – Foto: Ricardo Stuckert

GETÚLIO E OS DIREITOS DOS TABALHADORES

Durante o discurso, Lula também recorreu à memória de Getúlio Vargas para defender um projeto nacional de desenvolvimento. O presidente relembrou que, desde o início da República, foram os seus governos e os de Getúlio que de fato tiveram compromisso com os trabalhadores.

“Na nossa história, tem dois momentos. Getúlio Vargas em 1936, com a criação do salário mínimo, que foi uma revolução para a época. É por isso que lá em São Paulo não tem uma rua com o nome do Getúlio Vargas, porque a elite paulista odiava o Getúlio Vargas. Depois, em 1943, o Getúlio criou a CLT”, disse Lula

“A gente não tinha jornada de trabalho, a gente não tinha direito a férias. Sabe que na constituinte de 46, os empresários paulistas dizia: ‘Não pode dar férias mais que 10 dia, que se der férias mais de 10 dia, o trabalhador vai beber, ele vai beber, não pode dar férias’. Ele pode beber e a gente não. Então, Getúlio Vargas fez essa coisa extraordinária. E depois do Getúlio Vargas, foi o PT que fez”, ressaltou Lula

“Eu quero que vocês pesquisem. Não há nenhum momento na história do Brasil que qualquer governo fez política de inclusão social, a não ser Lula, Getúlio e Dilma e Lula”, pontuou o presidente.

INSS E BANCO MASTER

No mesmo comício, Lula voltou a falar sobre as investigações envolvendo as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o caso Banco Master. O presidente sustentou que os problemas começaram no governo anterior e afirmou que as investigações avançaram durante sua gestão.

Sobre o Banco Master, Lula lembrou que a instituição foi criada durante o governo Jair Bolsonaro e defendeu que as investigações revelem integralmente os responsáveis por eventuais irregularidades. O presidente também criticou a divulgação que considera seletiva de informações do processo e disse ter conversado diretamente com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para pedir a abertura integral dos autos.

Lula também afirmou que seu governo não impede investigações, mesmo quando elas atingem pessoas próximas. Citou o próprio filho, mencionado em apurações relacionadas às fraudes no INSS, para dizer que ninguém deve ser protegido caso tenha cometido irregularidades.

Multidão ocupou a Boca Maldita – Foto: Ricardo Stuckert

SOBERANIA NACIONAL

Outro ponto do discurso foi a soberania nacional. Ao comentar a possibilidade de influência estrangeira sobre as eleições brasileiras, Lula afirmou que as decisões sobre o futuro político do país devem caber exclusivamente aos brasileiros.

“Esse país não é um país de vira-latas. Não é republiqueta de bananas. A escolha de um governador, de um deputado e do presidente é única do povo brasileiro”, disse o presidente.

A declaração foi feita no contexto das críticas de Lula a tentativas de atores externos de influenciar a política brasileira e reforçou uma das marcas de sua campanha: a defesa da autonomia do país para definir suas políticas econômicas e políticas.

EDUCAÇÃO COMO EIXO DO DESENVOLVIMENTO

No Paraná, Lula também destacou a educação como uma das áreas estratégicas para o desenvolvimento nacional. Em publicação sobre o ato, o site oficial do presidente afirmou que a meta é levar o Brasil a um novo patamar de desenvolvimento e tirá-lo da condição de país em desenvolvimento, tendo a educação como uma das bases desse projeto.

A agenda também foi apresentada como parte de uma estratégia de longo prazo para ampliar oportunidades e melhorar a qualidade do ensino, vinculando investimento público à formação de trabalhadores, inovação e aumento da capacidade produtiva brasileira.

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