Lula retoma diálogo com Trump e contesta alegações que levaram à imposição de tarifas

Trump e Lula (Foto: divulgação)

Ligação entre os dois presidentes durou uma hora e vinte minutos. Lula mostrou a Trump que não é razoável prejudicar uma relação sólida como é a relação Brasil e EUA

O presidente Lula conversou, na manhã desta sexta-feira (21), por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A conversa tratou de vários temas, entre eles as tarifas impostas ao Brasil, e durou uma hora e vinte minutos. Além de debaterem a pauta bilateral e a conjuntura geopolítica global, o diálogo entre os dois transcorreu em tom amistoso e cordial, informa a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom).

Lula abordou a última decisão do governo dos EUA de impor novas tarifas comerciais ao Brasil, decorrente de investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos. Lula enfatizou que as alegações que embasaram as medidas restritivas não têm base na realidade.

Ele se referiu às acusações relativas a desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, o sistema de pagamentos PIX, mercado de etanol e supostas importações de produtos fabricados com trabalho forçado. Lula enfatizou que as alegações são inteiramente infundadas.

O governo de Donald Trump alega que o sistema de pagamento do Brasil, o PIX, estaria prejudicando os lucros das empresas americanas, Visa e Mastercard, que atuam no Brasil e cobram taxas em suas operações. O governo rebateu essa alegação dizendo que os cartões americanos tiveram crescimento de faturamento desde que o PIX foi implantado. Lula contestou também as questões do desmatamento e da corrupção.

O presidente brasileiro ressaltou que a imposição de tarifas gera prejuízos econômicos para ambos os lados e defendeu que a permanência na mesa de negociações constitui a melhor opção para as duas nações. Ele reiterou a importância do trabalho conjunto para assegurar que os Estados Unidos permaneçam entre os principais parceiros comerciais do Brasil.

De acordo com Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a medida atinge 15% do volume exportado para os EUA em 2025, ou US$ 5,8 bilhões, sendo que os setores mais impactados são madeira, móveis, máquinas e equipamentos, calçados, produtos cerâmicos e açúcar.

Em resposta, Donald Trump concordou com a relevância de preservar laços comerciais sólidos e propôs que as equipes técnicas dos dois países voltem a se reunir o mais brevemente possível para dar prosseguimento ao diálogo.

Na questão da segurança pública e do combate às redes criminosas, Lula reiterou o interesse do Brasil em fortalecer a cooperação bilateral com os Estados Unidos. O presidente explicou que as organizações criminosas exercem um terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas ponderou que tais grupos não se confundem com organizações terroristas propriamente ditas.

Afirmou também que o Estado brasileiro dispõe de instrumentos legais e institucionais próprios para enfrentar essa criminalidade, prescindindo de classificações ou designações especiais. Lula detalhou para Trump a estratégia brasileira de asfixia financeira do crime organizado, que já alcançou a marca de cerca de R$ 17 bilhões em bens e valores apreendidos, além de citar o plano governamental de transformar 138 unidades prisionais em presídios de segurança máxima.

O líder brasileiro destacou ainda a recente aprovação da Lei Antifacção, mecanismo que confere maior celeridade à apreensão de bens e passaportes de integrantes de facções, e mencionou a proposta de emenda à Constituição que visa ampliar o papel do governo federal na coordenação da segurança pública em articulação com os estados. Na dimensão regional, citou o funcionamento do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, instalado em Manaus, que reúne representantes das forças policiais de todos os países da Bacia Amazônica.

Ainda na ligação, o presidente brasileiro falou de ações do governo para “asfixiar financeiramente a criminalidade”, além da intenção de transformar 138 presídios em prisões de segurança máxima.

Trump ouviu tudo e demonstrou disposição para intensificar a cooperação bilateral na área de segurança e garantiu que mobilizará autoridades de alto escalão da administração norte-americana para dar seguimento aos entendimentos firmados.

Ao abordarem a agenda internacional, os dois líderes trocaram impressões sobre os principais conflitos em curso no mundo, com destaque para os confrontos na Ucrânia e no Oriente Médio. Ambos convergiram quanto à urgência de construir uma solução negociada para a guerra entre Rússia e Ucrânia, que já se estende por quase cinco anos. Trump apresentou suas considerações a respeito das perspectivas de resolução das tensões envolvendo o Irã.

Por sua vez, Lula lamentou a inoperância do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e propôs a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para buscar saídas diplomáticas para as crises atuais, no mesmo sentido das propostas que já havia apresentado anteriormente aos presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin. O presidente brasileiro encerrou a reflexão assinalando que os grandes líderes internacionais não são aqueles que deflagram guerras, mas sim aqueles capazes de pôr fim aos conflitos.

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