Mendonça liberou viagem de testemunha-chave do caso Sicário, jagunço de Vorcaro, a Dubai

Flávio e o miliciano Sicário (Foto: reprodução )

PF pediu apreensão do passaporte de Nathana Figueiredo por temer prejuízo à investigação

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou pedido da Polícia Federal para apreender o passaporte de Nathana Lopes Figueiredo e impedir que ela viajasse a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. As informações são do Estadão.

Nathana estava no apartamento de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, quando ele foi preso pela PF, em março. Depois de 6 dias da prisão e 3 após a morte de Mourão, ela telefonou a um delegado, informou que pretendia viajar e perguntou se havia alguma restrição.

Segundo a PF, Nathana era “testemunha-chave” da investigação e a viagem poderia comprometer a apuração, sobretudo porque não estava definido onde ela permaneceria em Dubai.

A defesa justificou a viagem pela necessidade de acompanhar a mãe, que teria fraturado o pé. Nathana também se ofereceu para prestar depoimento por videoconferência.

INTENÇÃO DE COLABORAR”

Mendonça, porém, entendeu que a iniciativa de comunicar antecipadamente a viagem indicava disposição de colaborar. “A reunião dessas circunstâncias permite a conclusão no sentido da intenção de NATHANA LOPES FIGUEIREDO de colaborar com as investigações”, alegou o ministro.

Para Mendonça, caso pretendesse se furtar à investigação, ela dificilmente teria informado previamente à PF sobre a viagem.

Não consta nos documentos divulgados se Nathana retornou ao Brasil ou se permanece em Dubai. Também não há informação pública sobre eventual depoimento prestado por ela.

PRESENÇA NO APARTAMENTO

Segundo relatório da PF, Nathana estava no apartamento quando os agentes chegaram, na manhã de 4 de março, para cumprir o mandado contra Mourão.

Os policiais apreenderam o celular dela, assim como 2 aparelhos pertencentes ao “Sicário”. Ambos se recusaram a fornecer as senhas.

A PF registrou ainda que Mourão teria tentado entregar discretamente a Nathana relógio de alto valor. Por isso, o relatório mencionou “possível cumplicidade” e justificou a apreensão do aparelho dela.

Até agora, porém, Nathana não é ré nem foi formalmente acusada de integrar a organização investigada.

QUEM ERA O “SICÁRIO”

Mourão é apontado pela PF como integrante da chamada “Turma”, grupo que, segundo a investigação, atuava para proteger os interesses de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, inclusive mediante ameaças e obtenção ilegal de informações sigilosas.

A PF afirma ter identificado acesso indevido ao sistema interno da corporação para consultar investigações envolvendo Vorcaro. Imagem de pesquisa no sistema ePol teria sido enviada a Vorcaro por Mourão.

Segundo informações reunidas na investigação, Mourão também receberia recursos para financiar a atuação do grupo.

MORTE FOI CONSIDERADA SUICÍDIO

Mourão morreu 3 dias depois da prisão, na carceragem da PF em Belo Horizonte. A investigação sobre a morte dele concluiu que ele tirou a própria vida e não houve intervenção de terceiros.

O relatório analisou imagens das câmeras de segurança, laudos periciais, exames toxicológicos e depoimentos de agentes e outras testemunhas.

Em junho, Mendonça autorizou a PF a acessar dados armazenados no iCloud de Mourão, que haviam sido preservados por determinação do ministro.

Na ocasião, Mendonça afirmou: “Tem mais coisa por vir”, sinalizando que o conteúdo poderia acrescentar elementos à investigação.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *