Foi descoberto que carcereiros de Israel trocaram mensagens comemorando o sofrimento do prisioneiro palestino, Thaer Abu Asab, que foi brutalmente espancado até morrer, denunciou um artigo do site de notícias israelense, Haaretz.
“Você vai ter orgulho de mim, do meu turno. Depois do que aconteceu, a contagem levou duas horas e 23 minutos. Tire suas próprias conclusões”, escreveu uma guarda mulher para seu companheiro, que também é guarda prisional. “Eles estão fazendo RCP (reanimação cardiopulmonar) na enfermaria agora mesmo, querido! Se Deus quiser, aquele filho da puta vai morrer”, ela disse.
“Caramba, que contagem! Acabamos com eles.”, disse outro guarda.
“Que contagem insana! Nunca vi nada igual. Jogamos queijo neles (gíria israelense para ‘infligir violência física extrema’), quebramos uns ovos (testículos). Tanto sangue nas alas.”, ela disse. “Meu Deus, estão fazendo RCP em um prisioneiro porque o espancamos. Ele morreu. Olha, é engraçado como tudo aconteceu num instante: Bum, contagem. Bum, prisioneiro morto.”, ela acrescentou.
A gravidade da agressão foi tão absurdamente enorme que o serviço prisional israelense indiciou os 12 guardas no dia 1º de setembro pelo assassinato de Abu Asab, na prisão de Ketziot. O crime aconteceu em 18 de novembro de 2023 e os guardas envolvidos também foram indiciados por agressões a outros oito palestinos presos.
As mensagens, de acordo com o Haaretz, foi o que quebrou o silêncio dos guardas depois de três anos mantendo segredo do que aconteceu naquela noite. Mensagens enviadas na noite do crime e nas semanas seguintes foram apreendidas por investigadores.
Mesmo com as mensagens dos guardas comemorando a assassinato Abu Asab, os promotores israelenses acusaram os guardas de agressão de menor grau em itens como homicídio culposo (quando não há intenção de matar), agressão qualificada e lesão corporal grave, além de outros crimes, o comandante do turno e o sargento do turno também estão sendo acusados de obstrução e somente após três anos e denúncias do jornal Haaretz.
O artigo do Haaretz reportou que as mensagens “oferecem um raro vislumbre do uso rotineiro de violência extrema por parte dos carcereiros contra prisioneiros palestinos” e que “também revelam evidências de que altos funcionários suprimiram relatos e fizeram vista grossa, quando não participaram diretamente.”
De acordo com a acusação, o motivo do espancamento e assassinato de Abu Asab, foi que a vítima perguntou a um guarda se havia um cessar-fogo em vigor na Faixa de Gaza. A promotoria acusa um dos comandantes de promoverem a cessão de espancamento na cela em que Abu Asab estava para demonstrar que não havia nenhum cessar-fogo.
Mensagens vazadas de carcereiros israelenses revelam rotina de tortura contra palestinos










