“Nós vamos arrumar os recursos para que a gente termine de uma vez por todas esse submarino nuclear”, afirmou o presidente, em visita ao centro da Marinha
O presidente Lula afirmou, nesta quarta-feira (19), durante visita ao Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó, no interior de São Paulo, que os recursos para a conclusão do submarino brasileiro movido a energia nuclear não podem estar nas contingências dos limites orçamentários.
Segundo Lula, o projeto é essencial para a soberania nacional, para o avanço tecnológico e para a geração de empregos e, por isso, tem que ter prioridade.
“Nós vamos arrumar os recursos para que a gente termine de uma vez por todas esse submarino”, disse o presidente. “Um submarino é importante para o Brasil, para a nossa soberania, para o nosso desenvolvimento tecnológico e para gerar emprego”, afirmou o presidente.
Para o chefe do Executivo o projeto não pode ser afetado pela instabilidade no financiamento de projetos estratégicos das Forças Armadas. Ele destacou que iniciativas de longo prazo, como o submarino nuclear, não podem depender apenas da disputa anual por verbas no Orçamento da União, sujeito a bloqueios e contingenciamentos.
“Na hora que a gente fica dependendo do Orçamento da União, o orçamento às vezes tem que ser contingenciado. Muitas vezes você um ano tem dois, no outro tem um e em outro não tem nada. Ou seja, isso não permite que tenha uma sequência de continuidade para que a gente possa dizer: ‘vamos concluir o projeto daqui a tanto tempo’”, afirmou.
Lula disse que um projeto como este tem que ter recursos especiais. O presidente defendeu que investimentos considerados estratégicos tenham tratamento diferenciado. Ele se dirigiu ao BNDES e à Petrobrás como possíveis parceiros.
“Quando nós vamos discutir o orçamento, possivelmente um submarino nuclear não entra na agenda de disputa com prioridade. Tem outras coisas na prioridade do povo brasileiro. Isso tem que ser tratado como uma coisa especial”, declarou.
Assista à cerimônia com a presença do presidente em Iperó
Durante o discurso, Lula também relacionou o domínio da tecnologia nuclear a fins pacíficos e à capacidade do Brasil de se impor em um cenário internacional marcado por disputas geopolíticas. Para ele, soberania exige mais do que declarações políticas.
“A gente não tem soberania nacional porque a gente faz discurso, o discurso é só palavra e o adversário às vezes nem escuta. A gente tem que estar preparado para eles saberem que a gente vai ter força para poder dizer não, dizer que vamos competir”, disse.
Ele foi incisivo na defesa de investimentos brasileiros no enriquecimento de urânio para fins pacíficos e em submarinos de propulsão nuclear, ao relacionar o desenvolvimento dessas tecnologias à soberania nacional. Segundo ele, o Brasil não pode andar de “cabeça baixa” em suas relações com outros países.
Lula também mencionou o impacto do projeto sobre a formação e a permanência de engenheiros, pesquisadores e técnicos no país. Segundo o presidente, a falta de continuidade nos investimentos pode levar profissionais altamente qualificados a buscar oportunidades no exterior.
A defesa de mais recursos para a área ocorre em meio a uma ofensiva recente do presidente por maior investimento em defesa. Lula tem afirmado que o Brasil precisa fortalecer suas Forças Armadas, reduzir dependências externas e preservar capacidades tecnológicas próprias em áreas estratégicas.
No local, Lula acompanhou o início da montagem da seção nuclear do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (Labgene), parte do Programa Nuclear da Marinha. Estavam presentes ao ato, a ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, o ministro da Defesa José Múcio, o ministro de Energia, Alexandre Silveira, a presidente da Petrobrás, Magda Chambriard, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante e o Comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen.










