Grupos como o Fictor e o Master eram protegidos pelo BC de Campos Neto e faziam lavagem de dinheiro para criminosos. Agora, no governo Lula, seus donos estão indo para a cadeia
A coluna do jornalista Vinicius Torres Freire desta quinta-feira (26) na Folha entra numa questão bastante pertinente. O Banco Master, inflado durante o governo Bolsonaro e protegido por Roberto Campos Neto, além do golpe que pode passar de R$ 50 bilhões, se envolveu, através de seus satélites e cúmplices, em lavagem de dinheiro de facções do crime organizado.
As suspeitas de lavagem de dinheiro para o crime começaram a surgir no ano passado com as operações da Polícia Federal, Carbono Oculto e Compliance Zero. Chagou-se às operações do fundo Reag, ligado ao Master, que lavava dinheiro do PCC, facção criminosa do estado de São Paulo. O que Torres levanta é que o sistema financeiro pode estar infestado com arapucas do tipo Reag, Master, Fictor e outas.
O jornalista cita o grupo Fictor que é investigado hoje por ter contatos com um Thiago de Azevedo, vulgo “Ralado”, que tinha negócios com o “Bonde do Magrelo”, braço do Comando Vermelho no interior de São Paulo. “Ralado” corrompia gente de bancos, conseguia empréstimos para empresas de fachada e, então, quebrava ou fechava as fachadas e sumia com o dinheiro. “Um pequeno Master”, diz o jornalista.
No tempo de Roberto Campos Neto e do governo de Jair Bolsonaro, esses “bancos” agiam livremente. Não só isso, hoje está provado que ministros de Jair Bolsonaro despejaram bilhões em recursos públicos no Master, como foi o caso do Ministro da Cidadania, Ronaldo Bento, que autorizou a entrada do banco nos programas de crédito consignado, até os ampliou, e depois virou diretor do Banco Master.
A coluna se refere à operação desta quarta-feira (25), batizada de Operação Fallax, da Polícia Federal, que avançou sobre sofisticado esquema de fraudes bancárias do grupo Fictor, que pode ter movimentado mais de R$ 500 milhões e atingido diretamente a Caixa Econômica Federal. A operação incluiu o dono do banco, Rafael Góis, e o ex-sócio Luiz Rubini.
O colunista lembra que o nascimento e a expansão de fintechs relevantes começam em 2012, 2013. A digitalização dos tempos da epidemia deu mais impulso ao novo negócio. No entanto, a regulação seria arranjada a partir de 2020, esclarece Vinícius. Durante o tempo em que Campos Neto comandou o BC, o Master floresceu e barbarizou, acrescenta o colunista. O Banco Fictor aproveitou a condescendência da direção bolsonarista e entrou em 2018 no ramo do agronegócio e expandiu seus tentáculos.
A Reag também ganhou asas nesta época, lembra o jornalista, e era a maior administradora independente de fundos de investimento. É acusada de prestar serviços para a gangue do Master, para empresas dos crimes com combustíveis, talvez ligadas ao PCC. O BRB, comandado por Ibaneis Rocha, estava à beira de aceitar a desova do cadáver do Master. Um outro bolsonarista, cassado essa semana por roubo de recursos públicos, o governador do Rio, Cláudio Castro, desviou R$ 1 bilhão dos aposentados para o Master.
A atual direção do BC impediu que o BRB ficasse com a carcaça falida e fraudulenta; pegou executivos do próprio BC corrompidos por Daniel Vorcaro. Polícia Federal e Receita tomam atitudes. Na opinião do jornalista, Campos Neto e outros responsáveis por toda essa bandalheira devem ser chamados a explicar como isso foi possível, para começar uma conversa séria de investigação e reforma.
Agora, mais uma vez, os bolsonaristas, cúmplices e padrinhos dessas arapucas criminosas, querem tirar o corpo fora. Eles, que se beneficiaram com os bilhões desviados dos cofres públicos, tentam incriminar o governo Lula por essas maracutaia todas. É ridículo porque quem está colocando essa gente toda na cadeia e recuperando os bens desviados é exatamente o governo Lula. No tempo deles, os criminosos estavam embolsando bilhões e repassando-lhes gordas propinas.
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