Partido Popular mobiliza Índia pela demissão do ministro da Educação

“Não vamos recuar. Porque o verdadeiro despertar começa na base, e é disso que realmente precisamos”, afirmam os jovens do Baratas (AP/Rafiq Macbool)

Movimento que iniciou há um mês exigindo a renúncia do ministro da Educação pelo vazamento dos exames de admissão para os cargos mais concorridos do país, se fortalece nas ruas e mira no primeiro-ministro, Narendra Modi

Milhares de jovens do Partido Popular das Baratas (Cockroach Janta Party – CJP), acamparam nas ruas da capital da Índia, Nova Deli, quinta-feira (23), desafiando a repressão do governo e exigindo a renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, acusado de envolvimento no vazamento dos exames de admissão para faculdades de medicina e cargos públicos – os mais concorridos do país.

Os protestos contra a corrupção na área da Educacão iniciaram há mais de um mês e ganharam força, alcançando cidades como Mumbai, Bengaluru e Patna, impulsionados pela provocação do presidente do Supremo Tribunal da Índia, Surya Kant, que comparou jovens desempregados a “baratas e parasitas”.

A partir de então, o movimento satírico CJP, tem se expandido, com a adesão de trabalhadores e profissionais contrários à desastrosa política governamental.

As manifestações de quinta em Jantar Mantar, local designado para protestos em Nova Deli, ocorreram após uma série de confrontos ao longo da noite, nos quais a polícia usou gás lacrimogêneo e cassetetes na tentativa de dispersar a multidão, o segundo enfrentamento de magnitude nesta semana.

Na segunda-feira (20), milhares de jovens já haviam desafiado as restrições e marcharam em direção ao parlamento, antes da polícia deixar dezenas de jovens feridos e prender outra grande quantidade.

Na manhã de quinta-feira, os manifestantes se reagruparam e retornaram ao local do protesto, apesar dos bloqueios nas estradas, enquanto as autoridades suspenderam o serviço do metrô na capital em 16 estações com o objetivo de limitar o acesso às manifestações.

Agora, além da renúncia do ministro da Educação, os jovens reivindicam a saída do primeiro-ministro, Narendra Modi, condenado por sua política econômica de arrocho e desemprego, e também acusado pela brutal repressão. Entre as exigências do movimento estão a imediata reforma no sistema de exames e indenização para as famílias dos estudantes que cometeram suicídio após o vazamento das provas.

Pressionado pela onda de protestos, somente após quatro semanas, Narendra Modi comentou o problema publicamente, anunciando tribunais de tramitação acelerada para lidar com os casos de vazamento de provas, reconhecendo a necessidade de agilizar o julgamento no lento sistema judiciário indiano. Com a cabeça a prêmio, cinicamente, o primeiro-ministro declarou que “Nada é mais importante do que o bem-estar e o futuro da nossa juventude!”.

A manifestação do governante soou como uma provocação aos manifestantes, que denunciaram que Modi não está atendendo às suas demandas por prestação de contas e reformas. “Em vez de apresentar uma solução que seja conveniente para ele, deveria trabalhar em busca de uma solução que seja conveniente para a nação e dar o exemplo”, declarou o estudante de direito Daksh Bhargava.

Fundador do Partido Popular das Baratas, Abhijeet Dipke alertou que o único que o primeiro-ministro oferece é repressão e disse que sua mãe estava com muito medo de que o governo o prendesse. “Neste país, toda mãe sente esse medo quando seu filho levanta a voz contra este governo. Até quando viveremos com medo deste governo?”, questionou.

Partidos da oposição apoiaram os protestos e repudiaram a postura repressiva do governo no parlamento. Ao mesmo tempo, eventos de solidariedade eclodiram por inúmeras cidades indianas, refletindo como o movimento se espalhou.

A Índia possui uma das populações mais jovens do mundo, com milhões de pessoas ingressando em um mercado de trabalho que tem dificuldades para criar empregos seguros e bem remunerados em número suficiente.

O porta-voz da CJP, Saurav Das, disse que explicaria suas reivindicações “com mais detalhes” ao governo e “esperava” ser ouvido. Os atos continuarão em todo o país, disse Das: “Não vamos recuar. Porque o verdadeiro despertar começa na base, e é disso que realmente precisamos”.

Nesta sexta-feira (24), horas depois do engenheiro, educador e ativista ambiental Sonam Wangchuk ter encerrado uma greve de fome de 26 dias, dois líderes do CJP iniciaram conversações com ministros do alto escalão do governo.

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