PGR não vê envolvimento de pessoa com foro e pede que caso Lulinha vá para a 1ª instância

Procuradoria-Geral da República em Brasília (Foto: Reprodução - PGR)

Procuradoria também argumenta que não houve negócio algum fechado entre a lobista e o governo, portanto, não houve ilícito

O lobista Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, não fechou nenhum negócio com o governo federal, nem com intermediação de Fábio Luís Lula da Silva, e o caso deve ser enviado para primeira instância, onde são investigadas pessoas sem foro privilegiado, apontou a Procuradoria-Geral da República (PGR).

O documento da PGR ainda diz que o caso não tem qualquer conexão com o escândalo Operação Sem Desconto, que revelou que o Careca do INSS roubava aposentados e pensionistas por meio de um esquema do governo Bolsonaro.

O vice-procurador-geral, Hindenburgo Chateaubriand Filho, destacou que a Polícia Federal cometeu uma “imprecisão da qualificação jurídica” ao não mencionar que não houve envolvimento de nenhum contrato público.

“Embora tenham sido identificados pagamentos feitos por Camilo Antunes a Roberta Luchsinger”, amiga de Fábio Luís, “a representação não menciona a conclusão de nenhum negócio entre o empresário e o Poder Público que pudesse sugerir o efetivo atendimento às pretensões que o grupo se propôs a agenciar”.

Roberta Luchsinger teria recebido pagamentos do Careca do INSS para tentar fechar contratos públicos, esclarece a PGR.

Em um dos casos verificados, ela tentou vender medicamentos à base de canabidiol ao SUS sem licitação. O governo federal, no entanto, não fez a compra.

Devido à “ausência de indícios mínimos de participação de autoridade” com foro privilegiado, o inquérito deve ser transferido para primeira instância.

O vice-PGR também reforçou que está “afastada a conexão dos fatos com o objeto da Operação Sem Desconto”. Essa operação desmontou o esquema de descontos indevidos em pagamentos de aposentadorias e pensões. Os criminosos fortaleceram seu esquema durante o governo Bolsonaro, que distribuiu “Acordos de Cooperação Técnica” do INSS para que associações roubassem o dinheiro direto na fonte.

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