Porta-aviões e destróier dos EUA fogem de Ormuz após ataque do Irã com mísseis

Governo de Teerã assegurou que a investida no Estreito de Ormuz deixou as duas embarcações dos EUA danificadas (El Libertador)

“Agressores norte-americanos hostilizavam embarcações iranianas e participavam do bloqueio naval à nação persa”, afirmou a Guarda Revolucionária. Mísseis hipersônicos causaram danos em ambos

A força aeroespacial do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) anunciou neste sábado (5) ter atacado “com vários mísseis balísticos um porta-aviões e um contratorpedeiro dos agressores norte-americanos que hostilizavam embarcações iranianas e participavam do bloqueio naval ao país”.

Conforme o governo de  Teerã, a investida realizada por sua Força Aeroespacial no Estreito de Ormuz deixou as duas embarcações danificadas, o que as forçou a abandonar a zona de conflito.

A confirmação da operação pelo Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), destaca a CGRI, representa uma “prova contundente da derrota estratégica” da política belicista de Donald Trump diante do poder ofensivo iraniano.

“Se as ações hostis e agressivas persistirem, o regime norte-americano deve esperar uma resposta contundente das Forças Armadas da República Islâmica do Irã. Permanecemos mais fortes do que nunca. A vitória pertence à nação resiliente do Irã islâmico, e a derrota e o arrependimento são o destino certo dos agressores”, enfatiza o comunicado da CGRI.

Anteriormente, a Guarda Revolucionária divulgou imagens “sem precedentes”  de covardes investidas dos EUA contra três petroleiros iranianos, em completa violação às normas de navegação do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito (GNL) consumidos no planeta.

As forças iranianas afirmaram estar monitorando e interceptando essas “embarcações infratoras” e advertiram que qualquer “atividade suspeita” será alvo de retaliação. Nesse contexto, também disseram que a proteção e a escolta oferecidas pela Casa Branca aos navios na região “são uma grande mentira” diante do poder persa.

O analista político e ex-militar dos EUA, David Pine, registrou no X que o país persa tem conseguido avançar na sua capacidade defensiva. “Determinou-se que o Irã não disparou mísseis balísticos antinavio de curto alcance contra o USS George Washington e seu contratorpedeiro de escolta, mas sim utilizou mísseis balísticos antinavio hipersônicos de alcance intermediário Qassem Basir (conhecidos como ‘assassinos de navios’), capazes de atingir velocidades entre Mach 5 e 8”, disse.

“MARINHA DOS EUA DISPÕES DE POUCAS DEFESAS CONTRA MÍSSEIS HIPERSÔNICOS”

Segundo Pine, “esta é a primeira vez na história dos Estados Unidos que um adversário com capacidades semelhantes dispara um míssil hipersônico contra um navio de guerra americano”. A Marinha dos EUA, lembrou, dispõe de poucas defesas contra mísseis hipersônicos para continuar “essa guerra de agressão ilegal, inconstitucional e imperialista”, o que torna esses mísseis iranianos uma ameaça mortal para os porta-aviões americanos e suas escoltas. Na sua avaliação, o curso dos acontecimentos deixa muito claro que o país persa não irá ceder.

Em declaração à Al Jazeera, o renomado analista austríaco de segurança, política e defesa, Wolfgang Pusztai apontou que “os iranianos não atacaram apenas dois navios comuns; atacaram um contratorpedeiro de mísseis guiados e, o que é mais importante, um porta-aviões, que é a espinha dorsal da operação americana contra o Irã”.

De acordo com o especialista, se os ataques tivessem sido plenamente  concluídos, “não há dúvida de que teriam ocorrido debates sérios em Washington sobre como continuar a guerra e, fundamentalmente, se ela deveria continuar”. “Trata-se de um acontecimento muito importante que convida à reflexão”, acrescentou Pusztai.

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