Trabalhadores portuários de 22 países e mais de 100 portos participaram, nesta sexta-feira (30), de uma greve internacional contra o envio de armas para regiões em conflito e em solidariedade à Palestina.
Inicialmente convocada por sindicatos da Itália, França, Grécia, País Basco, Turquia e Marrocos, a mobilização ampliou-se para mais de 25 organizações sindicais e atinge 113 terminais portuários.
Segundo os organizadores, a paralisação poderá afetar mais de 40% do transporte de cargas no Mediterrâneo, com impacto sobre operações marítimas avaliadas em mais de US$ 2 bilhões. Entre os portos envolvidos estão Gênova, Hamburgo, Valência, Algeciras e Tânger Med.
A Federação dos Sindicatos Portuários da Itália informou que a greve amplia a mobilização internacional contra o fornecimento militar a Israel. Em 2025, estivadores de Marselha-Fos, na França, recusaram-se a carregar peças para metralhadoras, declarando que não participariam do genocídio em curso.
Além da Europa, os organizadores indicaram que cerca de uma dúzia de portos na Índia poderiam sofrer interrupções, após o apoio à medida por parte da Federação dos Trabalhadores do Transporte Aquaviário da Índia (WTWF).
INICIATIVAS DE CAMPANHAS PRÓ-PALESTINAS
Nesse contexto, a Flotilha Global Sumud, uma coalizão de campanhas pró-palestinas que anteriormente organizou iniciativas para romper o bloqueio de Gaza e enviar ajuda humanitária, anunciou que realizará ações coordenadas e estratégicas no mar, paralelamente à greve.
Além disso, o movimento internacional de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) e 17 sindicatos e federações sindicais palestinas expressaram seu firme apoio ao protesto.
Em maio de 2026, sindicatos de estivadores de mais de 35 países europeus assinaram a chamada Declaração de Istambul, na qual exigiram que as instalações portuárias não sejam utilizadas para transportar armamento destinado a zonas de conflito.
Segundo dados do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), publicados no início deste ano, a Europa foi a maior região importadora de armas durante o período 2021-2025.
“De aviões a tanques, de fuzis a balas, de explosivos a munições, de uniformes a botas, nossos portos tornaram-se bases de reabastecimento e reenvio para a guerra e o genocídio”, denunciaram as organizações sindicais durante a coletiva de imprensa em que anunciaram a greve.
A iniciativa surge em meio a uma onda de críticas e condenações internacionais após a intensificação da ofensiva israelense contra os palestinos em Gaza, onde, nos últimos dias, militares sionistas mataram palestinos inclusive durante a entrega de ajuda humanitária.
O mundo tem sido palco de protestos contra o genocídio israelense em Gaza, que causou a morte de mais de 74.600 palestinos na sitiada Faixa desde o início da guerra, em 7 de outubro de 2023.











