Rússia retaliará a “atos de pirataria em alto mar” cometidos por EUA e vassalos, adverte Putin

Putin a bordo do cruzador Varyag (Presidência da Federação da Rússia)

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, advertiu na quarta-feira, 12, que irá adotar medidas para apreender navios mercantes ocidentais como forma de retaliar as mesmas ações cometidas pelo ocidente contra embarcações comerciais russas.

“Algumas nações estão violando o Direito do Mar ao tentar restringir a circulação de nossos comerciantes civis. Recentemente, tiveram a ideia de apreender nossos navios e vender nossos bens saqueados. Isso certamente nada mais é do que pirataria e roubo”, disse o presidente russo.

“Se tal política for implementada na prática, seremos forçados a tomar medidas semelhantes. E não necessariamente nas águas onde nossos navios estão sendo atacados. Faremos isso onde e quando acharmos conveniente”, ele disse.

Putin falou sobre o assunto enquanto se reuniu com comandantes russos da Frota do Pacífico e acompanhava os exercícios navais no leste da Rússia. Os europeus nos últimos meses fizeram várias ações militares contra embarcações que foram apreendidas e acusadas de estarem ligadas à chamada “frota fantasma russa” (também chamada de “frota paralela russa”), cerca de uma dúzia dessas embarcações foram apreendidas pelas forças militares de países europeus, vassalos às ordens de Washington.

No ano passado, Eventin, um petroleiro de bandeira panamenha, a serviço da Rússia, que transportava mais de 100 mil toneladas de petróleo bruto, foi apreendido pelos militares da Alemanha. O governo alemão tentou vender o navio, mas foi impedido pelos próprios tribunais, por que seria um ato de pirataria se vendessem carga roubada.

Outro navio acusado de ligação com os russos, Kiwala, foi detido em abril do ano passado pela Estônia, acusado de não expor uma bandeira válida, mas semanas depois foi liberado. Depois, em setembro do ano passado, um petroleiro com os nomes Pushpa, Kiwala, Boracay e outros, foram alvo do governo francês, mas foram liberados no mês seguinte, a caminho do Canal de Suez, no Egito.

Em março deste ano, forças militares da Bélgica com apoio dos franceses assaltaram o petroleiro Ethera que continua apreendido sob fiança de US$ 11,6 milhões. Ainda em março, a Suécia sequestrou o navio Caffa, acusando a embarcação de estar transportando grãos roubados da Ucrânia, o Supremo Tribunal belga então autorizou o envio da embarcação para a Ucrânia.

O comandante russo da Frota do Pacífico, Viktor Liina, disse ao presidente russo que os países europeus que são hostis à Rússia também utilizam de embarcações que transportam mercadorias usando ‘bandeiras de conveniência’, quando um navio mercante tem o registro diferente do país de origem que, de acordo com o comandante, poderiam ser considerados como uma “frota fantasma” pelos mesmos padrões da União Europeia e do Reino Unido.

“Os Estados ocidentais estão usando ativamente navios que arvoram bandeiras de terceiros países para transportar cargas em seu próprio benefício. Em essência, isso constitui sua frota paralela”, disse o comandante.

“Temos capacidade para inspecionar e deter embarcações pertencentes a Estados hostis e suas frotas paralelas. A coordenação interinstitucional está em vigor e estamos prontos para enfrentar essas tarefas”, disse.

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