Rede de Trump oficializa taxa de US$ 100.000 mensal para passar informação privilegiada

Trump opera com informação privilegiada mas está isento de auditoria fiscal

Do “Dia da Libertação” ao “Ormuz aberto”: Truth API promete “acesso direto, licenciado e em tempo real” às postagens “mais impactantes e que moldam o mercado”.

A plataforma de mídia do presidente Donald Trump, a Truth Social, lançou no sábado (1º) um serviço de “assinatura” que permite, por módicos US$ 100.000 por mês, que empresas financeiras e assemelhadas recebam, antes dos usuários comuns, as postagens do inquilino da Casa Branca e tirem proveito.

Conforme a NBC News, o Truth API oferece, com seu novo link de dados de alta velocidade, “acesso direto, licenciado e em tempo real” às postagens “mais impactantes e que moldam o mercado”.

Os senadores democratas Elizabeth Warren e Adam Schiff, enviaram uma carta à SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) cobrando uma investigação sobre manipulação de mercado. Eles denunciam o esquema de venda de dados prioritários de Trump como “abuso do cargo presidencial para benefício financeiro próprio”, apontando que os grandes fundos de Wall Street ganham uma “vantagem de milissegundos sobre os investidores comuns”.

É que a especulação de alto coturno dos fundos de hedge e outros mafuás transformam vantagem de milissegundos em apostas certeiras, em prejuízo dos pequenos investidores. Ou, como cinicamente expôs um analista, “comercialização do acesso antecipado a essas mensagens criam novas dinâmicas na relação entre a comunicação presidencial, os mercados financeiros e a mídia digital”.

O “em tempo real” é só para sublinhar como as máfias vão poder depenar, em Wall Street e outros “mercados”, os desavisados, com seus algoritmos de alta velocidade, valendo-se desse acesso antecipado às postagens de Trump.

O que isso significa pode ser dimensionado por postagens como a do “Dia da Libertação”, a das tarifas, no ano passado, que provocou uma queda de 12% nas bolsas globais. Ou o recuo da “parada de 90 dias”. Às vezes, Trump faz 100 ou mais postagens em apenas 24 horas, e uma contraditando outra anterior.

Em suma, venda de informação privilegiada, direto de Mar a Lago, o ‘pay to play’, enquanto Trump se recusa a usar os canais institucionais do país, como os demais presidentes faziam.

A nova tacada acontece depois de Trump ter reconhecido lucrar US$ 1,4 bilhão com criptomoedas no ano passado, inclusive a memecoin $TRUMP – enquanto os desavisados perderam US$ 3,8 bilhões – e cujo filho Donald Jr é o novo imperador das apostas do Polymarket.

No terreno do pay to play, acaba de gorar a tentativa do presidente da FIFA Gianni Infantino de entregar à família Trump a Copa do Mundo, via uma certa Thrive Capital, encabeçada pelo cunhado de Ivanka Trump, o que acabou barrado por uma rebelião que a Uefa e a Concacaf iniciaram e virou praticamente unanimidade.   

CORRUPÇÃO TURBINADA: “IMUNIDADE DE AUDITORIA”

A senadora democrata Elizabeth Warren tem denunciado como “corrupção em esteróides” a imunidade de auditoria que o Departamento de Justiça de Trump obteve para Trump, sua família e negócios, junto ao Serviço da Receita Federal (IRS), para resolver um processo movido pelo próprio Trump contra o IRS, pleiteando US$10 bilhões de indenização.

Na quinta-feira passada, os republicanos do Senado bloquearam proposta para encerrar o acordo Trump-IRS. “Esse acordo lhe dá IMUNIDADE TOTAL contra auditorias nas declarações de imposto que ele apresentou. É corrupção turbinada”, advertiu Warren pela plataforma X.

A contestada abrangência da imunidade é a razão pela qual o indicado de Trump, e seu ex-advogado pessoal, Todd Blanche, ainda não teve o nome aprovado no Senado para o cargo de procurador-geral (chefe do Departamento de Justiça) e continua interino, já que dois senadores republicanos têm votado junto com os democratas sobre a questão.

De acordo com The New York Times, o acordo de imunidade determina que o IRS precisa encerrar quaisquer investigações, sejam auditorias civis ou criminais, que estava investigando contra o Sr. Trump, seus familiares, suas empresas ou ‘indivíduos afiliados’. E que não pode iniciar novas investigações sobre declarações de imposto que esse potencial grande grupo de pessoas e empresas já apresentou.

Isso significa que qualquer manobra fiscal que os Trump já tenham usado, independentemente de o IRS já estar auditando ou não, agora está fora de alcance. Normalmente, a agência tem três anos após a declaração de imposto para cobrar mais impostos. Portanto, há possíveis auditorias do Sr. Trump e sua família que o IRS poderia ter iniciado — alegações que ‘poderiam ter sido alegadas’, na linguagem da ordem do Sr. Blanche — que agora não deveria ter feito. Mas a próxima declaração de imposto que o Sr. Trump apresentar poderia, teoricamente, ainda ser elegível para auditoria.

“O acordo de imunidade de auditoria de Trump é talvez a ação mais descaradamente corrupta tomada por um presidente na história americana, e o Congresso deve pôr fim permanente à ganância desenfreada exibida”, disse o senador Ron Wyden (D-Oregon), membro sênior do Comitê de Finanças do Senado, no início desta semana. “Os representantes eleitos não podem olhar os contribuintes nos olhos e pedir que joguem por um conjunto de regras das quais o presidente dos Estados Unidos está isento”.

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