“Pogroms contra civis indefesos por toda a Cijordânia, enquanto Gaza está sob fogo”, denunciou a Relatora Especial da ONU para a Palestina, Francesca Albanese, após nova rodada de ataques conjuntos de tropas de ocupação e dos chamados “colonos” – mais propriamente assaltantes de terra – na margem ocidental do rio Jordão e mais violações de um pretenso ‘cessar-fogo’ que mata diariamente.
Ela advertiu que os “colonos e os soldados de ocupação estão juntando forças”, e enfatizou que a responsabilidade por tais crimes não recai somente sobre o premiê israelense Benjamin Netanyahu ou umas poucas “maçãs podres”, mas “isto é Israel”.
O fato de Albanese ter optado pelo termo “pogrom” para descrever a barbárie perpetrada pelos israelenses contra os civis palestinos não é gratuita, e reflete a inversão de valores na sociedade israelense ao cometer os pogroms, termo pelos quais eram conhecidos os massacres contra judeus no império russo. Ela conclamou a um “embargo de armas imediato” e suspensão do comércio com Israel.
1090 PALESTINOS MORTOS E 6800 FERIDOS
Segundo um levantamento feito pelo Palestine Chronicle, desde outubro de 2023 “mais de 1.090 palestinos — incluindo pelo menos 239 crianças — foram mortos na Cisjordânia por forças israelenses e colonos armados apoiados pelo Estado. Mais de 6.800 palestinos foram feridos por munição real, estilhaços e agressões físicas, sendo que os ataques de colonos sozinhos já causaram uma crescente maioria dos feridos civis recentes. 10.000 palestinos foram deslocados à força devido a demolições de casas, ataques violentos de colonos e severas restrições de acesso. Comunidades beduínas e rurais inteiras nas colinas do sul de Hebron e no Vale do Jordão foram sistematicamente despovoadas e limpas. Mais de 11.000 palestinos foram levados para detenção por meio de operações militares noturnas, mantidos sob detenção administrativa arbitrária sem acusação ou julgamento.” Nos últimos três dias, duas mesquitas foram queimadas em Qusra e Kour, no norte da Cisjordânia, por supremacistas israelenses.
O editor do Chronicle, Ramzy Baroud, relatou como durante uma operação militar israelense na pequena cidade de Tell, a sudoeste de Nablus, moradores e agricultores locais se recusaram a recuar, rechaçando essa realidade diária de incursões de tropa, confisco de terras e assédio e violência dos assim chamados “colonos”.
“No confronto que se seguiu, um único palestino desarmou um soldado israelense e abriu fogo contra as forças invasoras perto do posto avançado ilegal do assentamento Havat Gilad, matando dois soldados e ferindo outros três. O que se seguiu foi a fúria previsível e implacável da ocupação: forças israelenses e colonos armados apoiados pelo Estado imediatamente lançaram uma série de ataques em Tell e comunidades vizinhas, matando quatro palestinos, incendiando casas e convertendo edifícios residenciais em centros de interrogatório de campo. Em uma rápida campanha coletiva de punição, tropas de ocupação israelenses detiveram mais de 70 palestinos — incluindo mais de 40 somente em Tell — enquanto expandiam as incursões militares em Jenin, Tubas, Tulkarm, Ramallah, Hebron (Al-Khalil), Belém e Jericó.”
Baroud também registrou como Netanyahu usou ataques militares, ataques aéreos com drones e incursões blindadas em campos de refugiados da Cisjordânia (de Jenin e Tulkarm a Nablus) para projetar uma imagem de força e controle para sua base doméstica e concedeu aos ministros de extrema-direita Bezalel Smotrich e Itamar Ben-Gvir “liberdade absoluta para executar sua agenda ideológica: expandir assentamentos ilegais, anexar a Área C, armar milícias de colonos e invadir e alterar repetidamente o status quo no complexo da Mesquita Al-Aqsa, em Jerusalém Oriental ocupada.”
“Armadas pelo Ministério da Segurança Nacional de Itamar Ben-Gvir, as gangues violentas de colonos foram totalmente integradas a paramilitares sancionados pelo Estado. Colonos lançam pogroms rotineiros e organizados contra vilarejos palestinos — queimando casas, destruindo olivais, roubando gado e disparando munição real contra civis — com a proteção direta e participação ativa do exército israelense.”
“Sob o ministro das Finanças Bezalel Smotrich — que recebeu autoridade oficial sobre assuntos civis na Cisjordânia — o governo israelense declarou dezenas de milhares de dunams do território palestino como “terras estatais”, marcando as maiores expropriações contínuas de terras desde os Acordos de Oslo. Simultaneamente, dezenas de postos ilegais de colonos foram legalizados retroativamente, e milhares de novas unidades habitacionais de assentamento foram avançadas.”
ESPANHA CONDENA LIMPEZA ÉTNICA
No domingo (26), o governo da Espanha condenou a violência cometida pelos israelenses na Cisjordânia ocupada, acusando Israel de fomentar a violência contra civis palestinos dando proteção para os israelenses envolvidos e em especial repudiou o ataque na sexta-feira (24) à cidade palestina de Tell, perto de Nablus, que deixou quatro palestinos mortos.
“O Governo da Espanha reitera sua forte condenação à violência contínua perpetrada por colonos israelenses, que continuam a agir impunemente contra a população palestina na Cisjordânia”, disse em comunicado o Ministério das Relações Exteriores da Espanha.
Depois do ataque, as forças israelenses impuseram um cerco contra Nablus e cidades vizinhas, realizaram prisões em massa de palestinos e anunciaram uma operação militar em larga escala na Cisjordânia ocupada, já prenunciando a expansão do genocídio que estão cometendo contra palestinos na Faixa de Gaza.
O governo espanhol lembrou que Israel, como ocupante de territórios pertencentes a outros países, tem a obrigação de tomar medidas para impedir novos ataques, de acordo com a lei internacional.
“O governo de Israel deve reverter suas políticas de expansão dos assentamentos e de proteção da violência dos colonos contra a população civil palestina, e cumprir suas obrigações como potência ocupante na Palestina”, acrescentaram.
A Espanha também exigiu a responsabilização dos envolvidos e o fim da expansão dos assentamentos na Cisjordânia.











