Requião Filho defende reestatizar Copel e Sanepar e fim das escolas cívico-militares no Paraná

Requião Filho é candidato ao governo do Paraná - Foto: ALEP

Na última terça-feira (18), o candidato ao governo do Paraná Requião Filho (PDT) participou da sabatina do portal ‘O Bem Paraná’. Foi o primeiro candidato a governador a passar pela sabatina, em que afirmou que irá declarar independência em relação à Lula durante seu mandato.

“Eu tenho, sim, o apoio do Lula. Eu tenho, sim, divergências com Lula. E sabe quem vai governar o Paraná se a gente ganhar? Eu! Não é o Lula, é o Requião”, afirmou o candidato, que disse ainda carregar com orgulho o nome de seu pai, Roberto Requião, que foi governador, prefeito de Curitiba e senador. 

“Carrego os ônus e os bônus de ser filho de Roberto Requião, e pessoalmente acredito que tenho muito mais bônus que ônus”, apontou ainda ele, ao ser questionado pelo índice de rejeição que acaba “herdando” por conta do “Requião”.

Na discussão apresentada na sabatina, Requião Filho disse que vai tentar retomar o controle de empresas como a Copel e a Sanepar, apontando que as duas não devem priorizar o lucro, o que segundo ele está acontecendo agora no governo de Ratinho Junior (PSD).

“Vamos fazer uma auditoria [da privatização da Copel], rever os preços dos ativos. A tentativa é de retomada do controle e recompra de ações para ter o controle. A privatização da Copel vai por água abaixo dentro da Justiça, eu acredito. Foi um grande trambique”, criticou Requião Filho, afirmando também que a situação da Sanepar é parecida. “Água, esgoto, isso é dignidade humana. Não é para dar lucro, só não pode dar prejuízo. Hoje a Sanepar está mais preocupada com lucro.”

Além disso, o candidato também promete acabar com o processo de privatização da Celepar e baixar o imposto para pequenas e micro empresas, falando em “ICMS Zero” para “fazer girar a roda da economia”. Na análise de Requião Filho, uma medida que até resultaria em mais arrecadação para o estado e seus municípios. “A gente troca imposto por emprego, tem de ter carteira assinada.”

Durante a entrevista, o candidato disse que vai fazer uma campanha mais programática, baseada em propostas, e não ataques pessoais ou batalhas puramente ideológicas. Mas se for preciso, ele garante que vai aumentar o tom.

“Nossa campanha é com base em proposta, é com base em programa. A nossa campanha é trazer soluções para o estado do Paraná. Mas não confundam educação com submissão. Se eles vieram para cima, terão resposta à altura. Taquem pedra que nós respondemos com tiro de canhão”, disse.

Em relação aos adversários, Requião os criticou incisivamente. Sergio Moro (PL), por exemplo, ele aponta que têm um discurso simples e puramente anti-PT, mas que não tem propostas concretas para o estado. Sandro Alex e Ratinho Junior (ambos do PSD), por sua vez, são criticados por se preocuparem mais com fazer propaganda do que por fazerem o que precisa ser feito. E como exemplo, Requião Filho cita os casos da Ponte de Guaratuba e a triplicação da BR-277, entre Curitiba e Paranaguá.

“Estão fazendo a triplicação da estrada que liga Curitiba com o Litoral. Mas de Foz até Curitiba só tem estrada ruim. Por que não fizeram a ampliação, as duplicações, das estradas do interior para Curitiba, pro agro escoar sua produção? Porque esse governo está mais preocupado com a propaganda eleitoral”, afirma ele. “A Ponte de Guaratuba, não era o modelo que faríamos e agora já está tendo problema nos acessos, que é o que deviam ter resolvido primeiro. Vamos atacar isso”, promete.

Da mesma forma, Requião Filho afirmou que promete acabar com o Programa Parceiro da Escola, uma iniciativa do Governo do Estado que transfere a gestão administrativa, operacional e de infraestrutura de colégios estaduais para empresas privadas. 

“Mais caro, direcionado, sem resultado. Dinheiro público mal gasto. É criminoso, em benefício a uma empresa ligada a um ex-secretário do Paraná. Na minha opinião, é questão para o Ministério Público e para a Justiça”, disse.

Ele também promete rever o esquema das Escolas Cívico-Militares, dizendo ser a favor da presença da polícia dentro da comunidade escolar, mas não com a polícia sendo responsável por processos pedagógicos ou de disciplina. “Ensinar a criança a marchar e a dizer ‘sim’ ou ‘não’, é corrigir na base do grito e da violência, seja ela psicológica ou física. Estamos em 2026, isso não é mais cabível.”

Por fim, o candidato também disse que quer garantir aos jovens paranaenses a possibilidade de construírem suas trajetórias no próprio local onde nasceram. Isso porque os jovens que moram no interior, quando sonham estudar, ainda precisam ir “pra cidade grande”.

“Não podemos só ter novas indústrias e novas empresas nos grandes polos. Temos de fomentar a industrialização, a agroindústria, a agroindústria familiar, no interior, para que os jovens tenham chance de emprego. Vamos ter ensino técnico qualificando mão de obra já no segundo grau e depois, em parceria com outras instituições, cursos profissionalizantes num primeiro momento”, afirmou.

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